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domingo, 14 de dezembro de 2008

O viciado controla o vício

Eu menti, eu não deixei de pensar em você um dia se quer. Desde o dia em que eu deitei na cama da minha avó, cansada de tantas conversas sem sentidos de família, e imaginei como seria lindo você ali comigo, me separando desse mundo sem graça que é o meu, eu imaginei todos os dias quando você iria vir para ficar. Eu lembro do quanto eu torci para entrar alguém diferente naquela sala e do quanto decepcionada me senti quando você entrou por aquela porta. Você me parecia meio estranho, meio magro demais, meio sem graça demais, com uma boca meio torta, não sei. Para piorar, com dois dias de convivência você já implicava comigo, fato que se repetiu até a nossa última palavra trocada. Você continuava meio estranho, mas me ouviu com atenção e interesse quando eu cheguei toda vestida de amarelo, feliz da vida e te contei de como tinha conseguido resolver as pendências da minha vida. Que irônia! Acho que só resolvi as pendências para conseguir depender por completo de você. Tinham que mandar nós calarmos a boca, você lembra? Você concordava com tudo que eu falava seguido de um "né?" e eu comecei a achar o máximo te contar dos meus desastres amorosos e ouvir suas histórias sobre meninas profanas. Bom, pelo menos era um estranho legal. Eu tinha a impressão de que te conhecia a anos, porque me sentia tão a vontade com você, tinha uma risada tão sincera com você, que até esquecia que existiam outras pessoas nos ouvindo. Um dia, eu olhei para o lado e nem te achei mais tão estranho, tão magro e com uma boca tão torta. Eu até comecei a achar bonitinho o seu lábio levantar um pouquinho e as suas perninhas fininhas naquelas havaianas do Brasil que durante tanto tempo eu achei o cúmulo da cafonisse. Deus adora me sacanear! Senhor, eu pedi um loirinho, fortinho, de olhos claros e você me manda um moreno, magro que quando corta o cabelo parece o Pink, do "Pink e Cérebro"! Não, erraram o endereço .. Não pode ser ele .. Será? Não, eu que errei. Era ele mesmo. O homem que eu tinha tanto desejado e esperado era o mesmo homem que eu achei tão estranho a primeira, segunda, e terceira vista. A estranha no final das contas, acabou sendo eu, pois poderia ser normal aquela tremedeira toda só de te ver ali, paradinho, esperando só por mim? Enlouqueci com você, ou melhor, você foi quem me enlouqueceu. Você me fazia subir pelas paredes e ao mesmo tempo aquele seu sorriso, aquele seu cafuné, lavavam toda a minha passarela de pensamentos sujos. Se toda drogada se apaixonasse assim, os traficantes iriam a falência. O seu cheiro, o seu beijo, o seu abraço, o seu sorrriso, a sua presença foram as drogas mais pesadas que eu já experimentei. Me tornei uma dependente, me tornei dependente de você e no dia em que terminamos, eu entendi o que é uma crise de abstinência. Tomei consciência da gravidade da minha situação, de como é perigoso depender tanto assim de algo que não dependia de mim, então, resolvi me internar. Me isolar com a minha dor e reconstruir tantos planos que eu, inutilmente, dediquei a você parecia uma boa idéia mas não o objetivo de uma clínica de reabilitação qualquer. Então, foi aí, meio sem querer, que eu descobri o melhor lugar que poderia existir para o meu caso: o meu blog. Deixei completamente de lado as opiniões alheias divergentes a minha, pois foi aqui que eu amenizei e traduzi vários momentos incompreensíveis a corações virgens de um gostar igual ao nosso e consegui trazer você um pouquinho para mais perto de mim, mesmo que fosse obrigada a ver a minha droga se desfazendo a cada linha terminal. Seu aniversário está chegando e eu precisava explicar para alguém, explicar em algum lugar, mesmo que na verdade eu queira explica para você, que o simples "parabéns" que eu te darei, quebrando a nossa dieta de palavras, esconde muito mais do que votos de felicidade. Esconde sorrisos, esconde lágrimas, esconde esperança, esconde uma vida nova, esconde a aceitação do nosso fim, mas acima de tudo, esconde sonhos. Esconde todos os sonhos que eu sonhei por mim e sonhei por você, que mesmo após sua destruição, o esboço se mantém vivo no meu coração, na minha memória, assim como você. Você nunca deixou de estar aqui dentro de mim, eu apenas consegui te colocar atrás de um cordão de isolamento. Te isolei da minha realidade, mas te isolei também de tudo que pudesse romper as lembranças boas que ainda seguem juntas a mim. É esse sentimento puro que me mantém tão viva e superior. Ver você com outra pessoa doi menos do que simplesmente ver você. Ver você acompanhado é consumar pela miléssima vez o nosso fim, ver você sozinho é voltar a me drogar de falsas esperanças. Um ex-viciado é sempre um ex-viciado, mas só se entrega novamente as drogas aqueles que assim desejam.

Beijocas :*

2 comentários:

Joanna Maciel disse...

Texto absurdamente bom. De verdade.

Mary disse...

Perfeito traduz?
Pois então... p-e-r-f-e-i-t-o!!!

Tb sou dependente de uma pessoa... e não quero imaginar perdê-la... pq eu sinto q mesmo q passem os anos, os dias, as crises de abstinências... eu vou continuar dependente dele pro resto da vida...

Beijoss... parabéns!
Escreves perfeitamente bem!

Mari
www.textoscontextos.blogspot.com