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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Provisória ou definitiva, essa é a minha despedida

Faz mais ou menos quatro meses, mas parece que faz quatro séculos. Você disse que estava tudo bem, como uma mãe diz para o filho que vai comprar só para conter aquele escândalo todo, só para não ser mais pertubada e não se sentir mais mal por não poder realizar os desejos de alguém que depende tanto assim dela, e quando eu virei, deu aquele tiro na minha garganta, cuja bala encontra-se ali alojada até hoje: "Espero que você não fique chateada comigo e que possamos ser amigos como antes de tudo isso acontecer entre nós.". Pronto, sua consciência estava limpa agora, mas como diz minha avó: "Não se despe um santo para vestir outro.". Você estava limpo, e eu estava me afundado a cada segundo mais na merda que era a sua ausência. A cena mais triste que ainda guardo comigo, sem nem ao menos querer guardar, foi quando voltei para casa, após ler tudo aquilo. Fiz o caminho inverso do nosso primeiro beijo. Em todos os sentidos. Enquanto nós tinhamos vindo, eu estava indo. Indo de volta para o mundo vazio antes de você. Estava chovendo e eu juro que nunca senti tanto frio. Nem fiz questão de abrir o guarda-chuva, queria me molhar mesmo, queria sentir que eu existia, que eu estava viva, porque parecia que tinham sugado tudo de dentro de mim e deixado apenas a carcaça. Chorei, chorei como tinha vontade de chorar a tempos. A dor de ver você indo trouxe consigo a dor de tudo ao meu redor, a dor de todo o meu passado. Não era um choro por você, de fora para dentro, era um choro por tudo encrustado em mim, de dentro para fora. Me sentia fraca, por olhar para o lado e perceber que eu não tinha mais você, que não tinha mais a minha barra de apoio, mas ao mesmo tempo me sentia forte para gritar, para todo mundo ouvir, ouvir a minha dor. Não, eu não queria sofrer sozinha. Não, eu não queria que me tirassem da minha merda. Eu queria te puxar para a minha merda. Durante tanto tempo eu quis que você percebesse que eu existia, que eu estava ali, que eu estava sofrendo. Fazia de tudo para ser notada e até arrisco dizer que consegui. Mas não, era pouco. Queria que você sofresse. Talvez, você sentisse, mesmo que de leve, tudo isso, mas continuava sendo pouco. Queria que você sofresse, mesmo no fundo não querendo. Você sofrer ou não, não faria as coisas voltarem a ser como éram, mas alimentaria o meu orgulho idiota, a única coisa que me restou depois de sessões de massoquismo humilhante constituidas por telefonemas e mensagens ignoradas. Durante todos os dias que seguiram, eu desejei você de todas as maneiras. Desejei você com orgulho e superioridade de quem quer maltratar, humilhar, desejei você com humildade de quem não se importa de estar por baixo, desejei você perto ou longe, desejei você acompanhado ou sozinho, desejei te abraçar ou te jogar na minha cama. Te desejei sempre, mesmo quando desejei não te desejar mais. Eu ainda creio que nós não morremos. Pela ordem natural da vida, só morre aquilo que nasce e nós fomos apenas um projeto. Nunca projetei em você a paternidade dos meus filhos, mas era nos seus braços que eu queria me aconchegar, era na sua cama que eu queria morar para sempre. Nunca projetei o nosso casamento, mas era o seu sim que eu queria ouvir depois que eu te perguntasse se você aceitava passar o resto da vida comigo. Nunca projetei o nosso final feliz, porque mesmo você tendo odiado quando eu falei, eu sempre soube que não acabaríamos bem, mas era só com você que o meu mundo ficava colorido, era só com você que eu me sentia mulher de verdade. Quando eu te olhava, era impossível não imaginar o dia em que você não soltaria mais a minha mão, o dia em que andaria ao meu lado tão feliz quanto eu por estar ao seu. Te olhar era mágico, era olhar a personificação de tudo que eu sempre quis ter e sentir. Eu não sei se te amei. Se não, cheguei perto. Eu juro. Faltava pouco para eu me entregar por completo, faltava pouco para eu fazer um pacto com o demônio para nunca mais deixar de te querer tanto, porque eu me encontrei justamente quando me perdi por você. Mas isso já faz tanto tempo, ou melhor, mas isso parece que já faz tanto tempo. Hoje eu quis escrever tantas coisas para você, mas justamente por não fazer mais questão de você saber, eu não consegui. Hoje eu consegui encarar com naturalidade a sua presença nesse mundo, a sua ausência no meu, e a sua insignificância de fato. E eu juro, isso não doeu. Hoje eu consegui até rir ao enxergar nas suas fotos aquilo que era impossível a um olhar apaixonado: você como é de fato, você longe de toda a minha idealização. Ver você feliz com seus amigos, ver você feliz sem mim, ver você feliz com outra, começaram a ter o mesmo poder sobre mim que um miojo sabor carne: cansaço. Cansei de comer miojo, assim como cansei de tentar arrumar um espaçozinho na sua vida para mim, assim como cansei de dedicar a melhor parte do meu ser para alguém que nunca soube diferenciar eu achar que ele não valia nada, ou eu tentar me acostumar com o dia em que ficaria completamente perdida sem ele. Tentei tanto ser mais mulher, mais bonita, mais interessante para você voltar comigo, que no dia em que eu não desejei mais seu regresso, eu finalmente constatei que eu era mulher, bonita e interessante demais para você. Não pense que é dor de cutuvelo, é lógica, é magnetismo: um imã de geladeira não consegue puxar para si uma escada de ferro. Se me perguntassem a 4 meses atrás o que eu mais queria, eu responderia: que ele volte. Hoje, eu digo para você, hoje eu digo para o mundo: eu quero ser feliz. Só. Simples. No final das contas, volto a ser, volto a contar com quem na verdade sempre contei: comigo mesma. O meu mundo volta a ser o mesmo, com ou sem você. Mais triste do que o nosso fim, mais triste do que o fim do meu quase amor, seria eu nunca mais conseguir te tratar como você merece, como você naquele dia me tratou: como porra nenhuma.

Beijoquinhas :*

2 comentários:

Mary disse...

Carol...
tô pasma...
bege...
com o tanto de alma que vc coloca no que escreve...

ñ sei se é por compartilhar com vc o dom da exposição do meu eu que pude sentir quase o que vc sentiu qdo viveu ou escreveu isso...

vc é perfeita... amei demais!

beijo e força!

Lari Larola :) disse...

CAROLINE ESCREVE BEM OU NEM?

AHAHHAHA VOCÊ É DEMAIS AMIGA, MINHA CLARICE 2