Eu poderia ter me perdido mais no teu peito, me encontrado mais em cada dobrinha da tua pele e quem sabe, ter descoberto a cada respiração ofegante e a cada batida descoordenada e acelerada do meu coração mais motivos para ter me apaixonado por você. Ouça bem, meu bem: eu só queria ter tido novos motivos. Eu só queria ter mudado aquele meu velho discurso de bochechas, inspirações e expirações. Só isso. Mas sei que amor eu não poderia ter sentido mais. Um dia, assim como uma desintegração, com a nova tão velha mania das palavras de desprenderem-se da tua boca como lâminas, você partiu. Viajou para muito mais longe do que aquilo que poderia ter sido e não foi. Acabou. Há quem diga que foi isso que aconteceu, mas eu prefiro acreditar, iludindo-me com a certeza de que a diferença da realidade e da ilusão está nas doses, que o nosso (ou meu) amor virou uma estrela. Uma estrela daquelas bem brilhantes e infinitamente distantes. Estrelas aquelas que nunca esquecemos que lá estão, mas que desistimos ainda crianças de arrancá-las do céu.
Beijocas :*
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Passagem de ida (sem volta)
Postado por Caroline Novais às 17:51 2 comentários
sábado, 12 de setembro de 2009
Intérfase
No dia da grande estréia, bem que a obstetra avisou: “Essa menina tem um desvio, o coração no lugar do cérebro!”, mas ninguém deu muita importância. Sempre fui como um barril de pólvora. Alguma coisa dentro de mim nunca conseguiu separar a comédia, o drama, o terror e o romance, e eu, não contradizendo as palavras da médica, explodia em milhares de lágrimas e sentimentos. É, eu estava predestinada a ser filme água com açúcar. Cresci e meus pais tiveram que deixar de pensar por mim. Foi assim que me tornei então, campo de experimento de mim mesma, campo de experimento do meu coração. Eu nunca te disse, mas sinto falta da vertigem que era te ter ao meu lado, de descobrir todo dia, entre respirações e expirações na sua nuca e mordidas na sua bochecha, o motivo do meu coração estar no lugar errado: você era, finalmente, o lugar certo. Apesar do meu filme, do nosso filme não ter terminado com “e viveram felizes para sempre”, dou continuidade, pois a platéia espera lá fora. Espero então que de alguma forma você descubra: está guardado. O meu coração quebrado, as cenas cortadas e todo resto. É só você querer montar.
(Texto concorrendo no Tudo de Blog - "Minha vida daria um filme!")
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 17:03 10 comentários
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
(Des)umano
Você odiava o meu cabelo preso, eu me lembro bem. Eu me lembro bem que não importava o quanto eu te explicasse como ele estava feio e implorasse para me deixar ficar daquele jeito, para me deixar ser daquele jeito: você sempre puxou o elástico. Quando eu era criança, sempre quis ser aquela menina dos cabelos grandes e lisos. Aquela que é a mais bonita da turma, que não é gorda nem desajeitada, e que todos os garotos no auge da sua idade mental (uns sete anos, depois as coisas começam a declinar) são apaixonados. Aquela que te faz parecer mais feia do que realmente é e traumatiza não só o seu primário, mas toda a sua vida, fazendo você mais tarde achar que seu peito é pequeno, sua bunda não existe e que ele nunca está olhando para você, é sempre para a sua amiga do lado. A mulher que não foi essa menina, com certeza, conheceu uma dessas. O tempo passou, as escovas progressivas, definitivas, marroquinas e indianas foram inventadas e todas nós pudemos, finalmente, sermos felizes. Enfim, expus meu trauma pré adolescente apenas com a função de base para meu argumento: jamais prenderia meu cabelo depois de anos de sofrimento se o mesmo não estivesse realmente "insoltável". Mas o mais engraçado disso tudo, é que mesmo depois de tanta autoridade e convicção, eu ficava feliz de verdade quando estava do jeito que você queria, eu me sentia bonita de verdade quando estava dentro dos seus moldes de beleza, eu me sentia completa de verdade quando você me aceitava. Eu construí um mundo a nossa volta. Um mundo onde ninguém transpira ou se cansa. Onde todos os dias, todas as horas, todos os minutos, eu estava perfeita e a sua disposição, embora eu ache que você nunca prestou muita atenção nisso. Mesmo que não tenha conseguido, eu juro que tentei. Eu tentei não ser humana, porque como diz o ditado: "errar é humano". Desde o dia em que você se transformou perante as minhas retinas e me fez gostar da idéia de os meus filhos nascerem com o queixo um pouco mais pontiagudo, eu dediquei todo o tempo que ainda restava da minha existência na difícil (impossível) tarefa de te agradar. Eu queria ser a mais feminina possível, não só por ter uma alma meio viadinha, mas para você parecer muito mais homem e másculo ao meu lado. Ou será que era para eu parecer mulher de verdade ao seu lado? Não sei. Mas o fato é que quando você me olhou e perguntou o que eu tinha que fazia você sempre querer voltar, eu me senti tão, tão pequenininha e frágil que queria voltar mesmo era para o útero da minha mãe. Eu vivia assim com você: entre antíteses. Entre altos e baixos. Entre me achar mulher fatal e guardanapo usado. Entre dormir feliz por termos saído e acordar com nós separados. Um dia aconteceu. Um dia o seu sorriso ficou meio forçado, seu intusiasmo não era o mesmo do início e você não conseguia esconder, embora negando, o quanto a minha companhia tornou-se um peso. Eu fiquei tão, tão pesada que me machuquei muito quando, inutilmente, tentamos arrastar para o futuro o que eu tinha que fazia você sempre querer voltar, mas que tinha se perdido em algum lugar do passado. Mesmo vendo a cada dia o que nós tínhamos ficar pequenininho até desaparecer, eu nunca derrubei os muros que ergui envolta daquele mundo que construí. Estava ali, como eu gostaria de estar: intocável. Mesmo vendo muitas outras mulheres entrando e saindo da sua vida, eu queria continuar como uma boneca de coleção, esperando pelo dia em que você quissesse novamente me tirar da caixa. Hoje eu até ensaiei uma corrida atrás do seu ônibus, mas minhas pernas não recebem mais motivos para isso. Eu coloquei a culpa no muro pelo meu deslize. Talvez até seja. Talvez eu realmente ainda queira que você me queira, assim como todo homem quer um pedaço de coxa ou de bunda. Sem carinho, sem admiração e sem paixão mesmo. Querer só por querer. Talvez eu ainda nutra essa vontade utópica e imbecil de você sempre me achar linda e desejar até a sua última pontinha de unha não ter me deixado. Talvez seja por isso que eu me senti tão fracassada por estar ali, suada, de cabelo preso e cara lavada. De um jeito que você nunca me desejou ao seu lado. É, talvez. Mas foi naquele instante, entre o passo adiante e a conscientização de que era melhor não correr atrás, que eu olhei uma gotinha de suor no meu braço e descobri: ufa, voltei a ser humana!
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 17:13 4 comentários
domingo, 6 de setembro de 2009
Intransitividade
- Você hoje em dia me chama de garota, mas olha que lindo o que eu achei aqui.
(pausa)
- O que tem de lindo?
- Não sei se lembra, mas foi você quem me mandou isso.
(risos)
- Sério? Você conhece as minhas amnésias.
- Infelizmente conheço.
(silêncio)
- Por que você ainda guarda isso?
- Eu tinha até esquecido, mas achei aqui. Guardei porque era um motivo bom para lembrar de você, no meio de tantos ruins.
- Você não tem mais o que fazer mesmo.
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 11:17 1 comentários
domingo, 16 de agosto de 2009
Greenpeace, Emotionpeace
E no meio de tanta violência, de tantas armas e de tantas balas perdidas, eu percebo, mais a cada dia, que o verdadeiro perigo do mundo são as próprias pessoas. Ao invés de usarmos coletes especiais, deveríamos blindar nossas almas e nossos corações. A vida é delicada, mas realmente vulneráveis são os nossos sentimentos. Todo estão muito preocupados em não desperdizar água, em poupar energia, em preservar o meio ambiente .. Por que não podemos, então, não desperdizar, poupar e preservar o que sentimos? As nossas lembranças, as nossas saudades. Cada um de nós vem ao mundo com uma língua própria e é inocente demais pensarmos que qualquer um poderá decifrá-la. Dias, semanas, meses, anos, séculos passam e entre tantas guerras em nome de Deus e destruição em nome do progresso, eu continuo com essa coisa pré-histórica no meio do peito. Antiga demais para ser lembrada e moderna demais para ser entendida. Carrego comigo pessoas que existem, mas que eu própria moldei. Pessoas que se assustam com o que poderiam ser nesse mundo que construí. Pessoas que a todo momento querem ir embora desse mundo que me foi imposto. Levo comigo a saudade do que existiu somente dentro de mim e que nem por isso é menos real, a vontade de seguir em frente, mas querendo retroceder. Sinto-me em um tiroteio de emoções e volto a ser o que talvez nunca deixei e deixe de ser. Volto para debaixo das minhas cobertas e apenas, com os cílios um pouco molhados, ou não, fecho meus olhos. Aceito o que me é dado, aceito a vida que deve continuar seu curso natural. A vida continua, sempre continua.
Voltei, gente! :) Sou uma vestibulanda, né? hahahaha .. E juntar tempo e inspiração anda difícil ..
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 14:06 2 comentários
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Carta para Marta Medeiros
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"Com base nos textos trabalhados em sala, de autoria de Lya Luft e Marta Medeiros, escreva uma carta argumentativa, endereçada a uma das autoras acima referidas, respondendo à seguinte questão: "Você tem fome de quê?" Um dos argumentos deverá, obrigatoriamente, apoiar-se em uma idéia da autora a quem você não está se dirigindo, citando-lhe o nome. Sua redação será construída em estrutura de 4 ou 5 parágrafos. Faça uso do tratamento "a senhora", bem como do registro da língua padrão. Utilize caneta preta ou azul."
Rio de Janeiro, 01 de junho de 2009
Senhora Marta Medeiros:
Eu, pequena admiradora dos seus textos, venho por meio desta carta explicitar minha fome. Suas palavras foram bombas calóricas que me energizaram para falar, desconsiderando a balança do coração e os centímetros a mais na cintura da consciência. Hoje está chovendo aqui na Tijuca, e a água, ao invés de disfarçar a fome, deixá-la para mais tarde, faz meu estômago querer me engolir.
A paixão não é vermelha. Paixão é branca, e quando decomposta, reflete as sete cores. Eu tenho fome de paixão, fome de cores e de vida. A gravidade evidencia o peso do meu corpo, mesmo corpo que era leve e colorido, e que agora mendiga as migalhas de alguém que ignora seu estado morimbundo.
"Fome de confiança: ah, essa não dá para esquecer.", disse Lya Luft. A cura para minha fome está na autotrofização do meu ser, na minha autoprodução de felicidade e aconchego, na confiança em quem nunca me abandonou, ou mentiu: eu mesma. Sei que tenho que me alimentar, mas faltam-me forçar para levantar o garfo.
"A fome é mais violenta do que o desejo.", não me restam dúvidas. Mesmo querendo ficar, mesmo desejando desejar modernamente, minha fome todo dia grita que não nasci para isso. Tenho dois olhos, um nariz, uma boca e sou considerada perfeitamente inteira. Por que viver então com o coração aos pedacinhos? Vago pelas ruas tentando esquecer o farto banquete e procurando qualquer média requentada.
Reclamo da fome mesmo sem nunca ter conseguido ficar plenamente satisfeita com a saciedade. Fome de vencer, fome de ligações, fome de carinho, fome de presença, fome de consideração, fome de paixão. A vontade de comer cores, vida é o que nunca deixa a acomodação chegar e nos faz levntar da cama todos os dias.
Atenciosamente,
CBN.jpg)
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 16:30 9 comentários
domingo, 14 de junho de 2009
Não diz nada
Não diz para mim que você pensa em mim, não diz para mim que você pensa no meu futuro. Tem gente demais já cuidando disso. Até demais. Não diz para mim que você vai embora, que é melhor, que eu vou ficar melhor. Você não vê que eu não quero ficar melhor? Que eu não consigo acreditar que exista algo melhor do que aquele seu abraço até estalar todos os meus ossinhos, do que o seu cheirinho escondido em uma dobrinha do seu pescoço, e do que a sua bochechinha molenguinha? Eu preciso muito de você, nem que seja de vez em quando, nem que seja te dividindo em mil pedacinhos tão meus para mil outras meninas. Não diz que é injusto. Injusto é esse buraco no meio do peito, é o meu coração pequenininho, é essa vontade de ficar em algum lugar bem escuro e quentinho e chorar toda essa vontade louca, forte e dolorida de ficar ao seu lado. Não diz que você evita me ver, por favor. Eu juro que eu fico paradinha, não faço nenhum barulho, mas deixa eu ficar aqui, olhando para você, me devolve aquele sorriso bobo, sem motivo que a sua vinda sempre trouxe. Não faz isso comigo. Não arranca assim, de uma vez só, algo que já é tão meu, algo que já está entranhado em mim. Cumpre o que você me prometeu três vezes. Pede para sair comigo, pede! Eu juro que nem charme vou fazer, deixo até pré avisado que aceito. Eu sempre aceitei, eu sempre vou aceitar. Fica aqui só um pouquinho. Faz meu cabelo deslizar por entre seus dedos, me abraça por trás e me desarma quando a minha vontade é tacar seu celular na parede e impedir que todos os seus amigos te achem, tira esse meu medo de dormir e sonhar com você, sabendo que ao acordar eu vou estar sozinha e encolhidinha. Não diz que você não sabe. Volta para mim, nem que seja uma vez por semana, uma vez por quinzena, uma vez por mês. Não faz eu ter que seguir em frente com toda essa tristeza aqui dentro, não faz eu ter que ignorar o meu coração murchinho, não faz eu ter que sorrir sem vontade, não faz o sol nascer e se pôr sem você, não me deixa com medo de me magoar, não deixa outra pessoa deslizar os dedos por entre meus cabelos, não deixa outra pessoa estalar os meus ossinhos. Não deixa me levarem, me deixa ficar aqui. Deixa! Não diz nada. Só diz que sim, diz que você vai voltar para mim, nem que seja de vez em quando. Nem que seja muito de vez em quando.
=/
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 09:21 0 comentários
terça-feira, 12 de maio de 2009
Carta marcada
E então me sinto tão boba, e então a vida se torna tão boba. Mesmo que nem tudo seja como eu gostaria que fosse, aquele caminho que eu percorro todo dia, aquele caminho que poderia fazer de olhos fechados e, enfim, tudo a minha volta, se torna tão bobo, tão colorido, tão bonito só porque a sua existência é algo concreto. Você existe e fim. Você existe e forma metade da minha felicidade, metade dos meus sonhos e metade de mim mesma. Tudo se torna tão pequenininho quando não é você. Você esmaga sua própria ausência com uma presença tão forte que me faz perceber que o mundo antes de você não era mundo. Era apenas o rascunho de tudo de melhor que existe, já que o melhor de verdade é poder descobrir, entre uma expiração e uma inspiração na sua nuca, a todo momento, que eu poderia viver ali para sempre. E eu te confesso que faria tudo de novo, tudo exatamente igual, porque apesar das milhares de piscinas que eu enchi quando você foi embora, viver sem ter conhecido você, seria viver sem vida, viver sem graça, viver por viver. Eu tenho milhares de defeitos, mas eu te juro que nunca nenhum deles será maior do que eu guardo aqui dentro. Do que eu guardei aqui dentro durante toda a minha vida só para você. Eu passo por cima de tudo, não me importo. Se o meu coração for grande demais, eu diminuo. Se o querer estar perto for demais, eu me afasto. Se as demonstrações de afeto forem frequentes demais, eu guardo. Só me deixar ficar aqui, por favor. Me deixa ficar aqui olhando para você e querendo morrer toda vez que a gente se despede. É nessa minha morte e na minha ressucitação toda vez que você volta, que eu percebo o quanto tudo isso, que é uma grande merda, pode ser lindo. O meu amor, de tão grande, te dá autonomia para fazer o que quiser, porque ele sabe que assim, e só assim, você pode voltar. Voltar porque quer. E então, toda vez que você me abraçar durante o nosso caminho testemunhado por tantas pessoas desconhecidas, eu vou deixar. Vou deixar que elas pensem que nós somos um casal de verdade, daqueles que planejam o nome dos filhos e uma casinha de cercas brancas, mesmo que eu não saiba como estaremos daqui a uma semana. Vou deixar a gente parecer, vou deixar a gente sempre só parecer o que eu queria que a gente fosse. O que eu sempre quis que a gente fosse. Dizem que querer é poder, e então hoje, mais do que nunca, eu quero. Acima de querer parecer o que não somos para aqueles que não conhecemos, acima das minhas vontades, acima de todas as verdades. Eu quero, eu escolho. Escolho você. E escolheria você todas as vezes que me dessem a opção de mudar. Eu não quero mudar. Eu quero continuar aqui, empacada no mesmo lugar, se isso significar que você vai continuar fazendo com que eu me sinta boba e tenha vontade de espalhar a minha bobagem pelo mundo. Se isso significar que você vai continuar aqui, do jeito que for, fazendo com que eu ame cada pedacinho seu. Se isso significar que, de uma forma ou de outra, você é meu.
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 12:21 11 comentários
sábado, 9 de maio de 2009
Transversal
"Não acho a nossa relação justa.", você me disse. Eu procurei então não pensar na realidade da sua frase e apenas olhei fixamente para a calçada. Eu tive medo. Eu tive muito medo. Seria cruel demais olhar para você e ver a provável pena que tem de mim. Doeu, mas eu ignorei a minha dor. Não é fácil. É como se todo dia o meu coração enfrentasse uma guerra. É como se cada vez que você se divertisse sem mim, é como se cada dia que se passasse sem você me procurar, é como se cada outra pessoa que você beija comprovasse o quanto você é completo na minha ausência. É como se as milhares de minas que eu guardo aqui dentro fossem ativadas. Uma de cada vez. Uma a cada dia. É como se você explodisse aos pouquinhos o que mesmo construiu. Fizemos questão de deixar claro que somos livres, porém unidos pela vontade. É o nosso contrato. Contrato que ninguém pode ver, contrato que não está em papel algum. Contrato feito com o coração, ou com a falta de. Contrato que me anula completamente, que me torna uma peça anatômica frente ao que eu sinto. Não, não é justo. Mas antes que tivesse tempo de concordar com você, me lembrei daquele dia. Aquele dia. Dia aquele que eu pensei que poderia me dar uma nova chance, dia aquele que eu pensei em dar uma nova chance para alguém. Foi nesse dia que, por alguma interferência divina, a gente se cruzou. Eu indo e você vindo com os nossos respectivos e novos alguém's. Foi por lembrar desse dia, foi por lembrar que eu cheguei em casa me sentindo suja por ter a sensação de estar te traindo, foi por lembrar que eu me senti pequenininha por ser tão óbvia a facilidade da minha substituição, foi por lembrar que eu fui obrigada a te ver feliz com alguém que, com certeza, não sentia a metade do que eu sentia e mesmo assim merecia mais do que eu estar ali que eu comecei a achar super justa a possibilidade de poder escolher estar com você de novo. Me disse que não sabia porque fazia aquilo, que um dia ia mudar, que pensava em mim depois. Cada gesto seu recuado, cada atitude sua contida, cada frase sua receosa percorria o meu corpo como se tivessem acabado de despejar um balde de água fria em mim. E eu ficava ali, paralisada, com aquela sensação de gelado que a gente tem quando fica com vergonha e não sabe o que faz. Eu queria só que você me abraçasse e me desse a segurança que me faltava, mas eu já aprendi que não posso esperar que você corresponda a todas as minhas expectativa, por mais que você se esforce. Como se fosse superior a tudo aquilo, como os adultos fazem com a banalidades contadas aos prantos pelas crianças, eu sorri. Sorri, mesmo sabendo que depois, no meio da minha diversão em algum lugar, vou sentar e ficar lá, intacta, olhando fixamente para aquela cadeira vazia. Aquela cadeira é sua mas falta você, e por algum motivo que eu não sei, eu vou achar aquela cadeira tão parecida comigo então. E mesmo com todas as minhas pequenas decepções, e mesmo com toda a sua ausência, e mesmo com todo esse contrato que me desfavorece por completo, eu vou continuar no mesmo lugar, ao lado da cadeira vazia, zelando para que ninguém sente-se nela. Esperando você com a certeza de que não foi por acaso que a gente se esbarrou com os nossos novos alguém's, com a certeza de que é realmente Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que, como diria a Tati, se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 21:53 2 comentários
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Fobialidade
Eu não sei ser feliz. Sempre achei isso, mas sempre achei que as pessoas me achariam louca também. Então, não deixando a minha mania de querer agradar a todos menos a mim mesma de lado, engoli. Mas entalou. E não sai. Mesmo se eu beber trezentos litros de água, tossir ou vomitar. Não sai. Fica ali, no meio da minha garganta, me lembrando a todo momento que eu não sei lidar com a tal da felicidade. Não é a rejeição, a saudade, o machucado. Nada disso. Não é a tristeza que doi de verdade. O que doi de verdade é a felicidade. Ser vítima é mais fácil. Lamentar, reclamar, chorar, espernear, culpar. Tudo isso é anos luz mais fácil do que se permitir ser feliz. Sem medo de errar, durante uns noventa por cento da minha vida, eu reclamei por estar gorda, ter cabelo enrolado, estar sozinha, ser feia, desajeitada ou por me sentir excluida. Durante todo esse tempo, eu acordei todos os dias pensando no que poderia fazer para mudar o que me deixava para baixo. Ao mesmo tempo em que eu buscava a felicidade, buscava a mim mesma. A vida é muito complexa, e para diminuir a minha impotência diante a sua complexidade, eu vesti a capa de coitadinha e sai por ai. E agora? O que eu faço? Como eu vou viver sem a minha capa? É como aquela história da terceira perna: não me permitia andar, mas fazia de mim um tripé estável. Não felicidade, não vai embora não! Eu só quero que você me ensine a lidar com a sua vinda, principalmente porque me contaram que esta é sempre breve. Aceita um café? Bolo? Se eu for uma boa anfitriã, a senhora fica mais um pouco? Entre todas as variações da felicidade, a mais difícil é a respectiva ao amor. Independentemente do que se ama, tirando o amor próprio, já que eu nunca o conheci muito bem, se ama aquilo que está fora de nós e, portanto, está fora do nosso controle. Mas sabe, se eu não consigo ao menos controlar as ações provocadas pelos meus próprios hormônios, como eu poderia querer controlar as outras pessoas? Pessoas são complicadas, mas a felicidade é mais. A felicidade me deixa tão leve que eu tenho que me prender a tantas neuras só para não sair voando por ai e, quem sabe, cair sem para quedas de volta a realidade.
Beijocas :*
Postado por Caroline Novais às 18:04 11 comentários