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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Eu (ponto) 2

Eu sou um monte de bolinhas coloridas e tudo aquilo que é meu é cuidadosamente escolhido e organizado. Eu sou fotografias espalhadas pelo quarto e muita nostalgia, com muita vontade de seguir em frente também. Eu sou a meiguisse em pessoa com um saco gigante, mas BUM! Dá licença que o meu saco estourou e eu quero mijar. Eu mergulho de cabeça em tudo que faço, mesmo quando esse tudo é uma piscina rasa. É, já quebrei a cara algumas vezes. E o coração eu já perdi a conta. Eu sou a (pseudo) independência que quer deitar no peito e receber cafuné. Eu sou comida japonesa com um copo de suco de melancia com limão, mas "Garçom, me vê uma malzzzzzbier, por favor!". Eu sou scarpins, lacinhos, havaianas e lápis de olho convivendo no mesmo armário. Ou na mesma bolsa. Provavelmente, gosto mais de cachorros do que de você. Inconstância. Altruísmo. Sensibilidade. Ansiedade. Eu sou uma prateleira com Tati Bernardi e Caio Fernando Abreu e qualquer semelhança não é mera coecidência. Meu sorriso e meu choro ocupam ao mesmo tempo o mesmo lugar no espaço. Ontem eu fui algum lugar tocando "IIIII DON'T KNOW WHYYYYY!" bem alto e amanhã eu posso ser uma cama com um edredom bem fofinho. Amo o cheiro de hospital e quero viver com um jaleco branco entre seringas, desfibriladores, doses de lidocaína e quem sabe, choros de bebês prematuros. Fica clichê demais se eu terminar dizendo que tudo que eu quero é ser feliz? Que tudo o que eu quero é sentir que algum lugar me pertence, me completa e que isso vale para tudo e todos ao meu redor? Fica clichê demais? É, fica. Mas quem disse que eu não posso ser um clichê também, não é mesmo?

Beijocas :*

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Eu (ponto)

Eu sou um monte de bolinhas coloridas e tudo aquilo que é meu é cuidadosamente escolhido e organizado. Eu sou comida japonesa e um copo de suco de melancia com limão. Eu sou fotografias espalhadas pelo quarto e muita nostalgia, mas muita vontade de seguir em frente também. Eu sempre me jogo de cabeça em tudo que faço, mesmo quando esse tudo é uma piscina rasa. É, eu já quebrei a cara muitas vezes. E o coração eu já perdi a conta. Eu sou a meiguisse em pessoa mas me dá licença que eu vou ao banheiro mijar. Eu sou a (pseudo) independência que quer deitar no colo e receber cafuné. Eu sou scarpins, havaianas e lacinhos convivendo no mesmo armário. Eu sou o mundo inteiro dentro de uma bolsa mas salvaria só o meu lápis de olho se ela pegasse fogo. Tudo bem, tentaria salvar o blush, o corretivo, o secador de cabelo etc etc etc também. Por falar em fogo, me jogaria nele por uma quantidade menor de pessoas do que tenho de dedos, mas sei (?) que não sairia queimada. Provavelmente, gosto mais de cachorros do que de você. Eu sou cabelos voando dentro de um carro com os vidros abertos e um ipod tocando a mesma música pela miléssima vez. Eu sou uma porção de provolone à milanesa e batata frita e uma lata de malzbier com um monte de comidas saudáveis e um par de caneleiras no dia seguinte. Meu sorriso e meu choro ocupam ao mesmo tempo o mesmo lugar no espaço. Hoje eu sou algum lugar tocando IIIIII DON'T KNOW WHYYYYYY bem alto e amanhã eu posso ser uma cama com um edredom bem fofinho. Eu sou um copo de alguma bebida diferente da que a maioria bebe, desfilando por algum lugar onde a maioria vai, com o sapato na mão (ou não), muito feliz por ser solteira. Mas confesso que eu choro no especial do Roberto Carlos. Só não digo que acredito no amor para esse texto não ficar muito cafona. Inconstância. Altruísmo. Sensibilidade. Ansiedade. Eu odeio muito gente forçada mas eu me forço muito mais para aguentar. Ou então eu fico quieta. Acho que o importante é ao menos conseguir conviver. Contudo, isso não significa que eu não dê os meus ataques em alguns momentos. Eu espero muito das pessoas, mais até do que elas são capazes de dar. Talvez por eu me dar demais. Mas por outro lado, às vezes eu espero o pior para o que vier ser vantagem. Eu sou uma prateleira com Tati Bernardi e Caio Fernando Abreu e qualquer semelhança não é mera coecidência. Amo o cheiro de hospital e quero viver com um jaleco branco entre seringas, desfibriladores e doses de lidocaína. A propósito, meu sonho não foi realizado (AINDA) por 75 décimos. Fica muito clichê se eu terminar dizendo que no final das contas tudo o que eu quero é ser feliz? Que no final das contas tudo o que eu quero é sentir que algum lugar me pertence, me completa? E que isso inclui tudo aquilo que me cerca? É, eu acho que fica clichê demais. Mas quem disse que eu não posso ser um clichê também, não é mesmo?

Beijocas :*

domingo, 24 de janeiro de 2010

Lamentos enrustidos

Não digo que voltou, não por nunca ter ido, mas por não mais sofrer. Dor, palavra que melhor te descreve. Até na felicidade havia agonia. Felicidade programada para o fim breve. Eu sempre soube. Nossos beijos, até os primeiros após as reconciliações, eram os últimos. Eu estava preparada todo dia para ouvir o adeus que você nunca teve coragem de dizer mas que de alguma forma matava a gente um pouquinho mais conforme o tempo passava. Você era a minha bomba relógio e eu havia escolhido ser kamikaze: escolhi você todas as vezes que me deram a opção de mudar e mergulhei de cabeça sempre que pude na piscina rasa que era o nosso relacionamento. Fratura exposta, todo mundo viu a tragédia que foi o nosso fim. Não digo que você foi de todo o mal, afinal, a minha felicidade era sincera, era completa. Nosso romance sempre foi metade. Metade minha. Amor meu. Você era o meu amor, agora você é o amor dela. E ela é o que eu nunca fui. Amor seu. Não digo que seja saudade, tão pouco sofrer, mas penso que o seu bem começou juntamente com o meu mal. Eu estava esperando você e esperei até pouco tempo atrás. Esqueceu de mim nos braços dela. Por falar em braços, não pense que seja dor de cotuvelo. Era, não é mais. Não me pergunte o porque de tudo isso agora, nem lamento é. Olhei pela minha janela as folhas que formavam quase um tapete no asfalto e me dei conta da inconstância da vida, sem medo de parecer louca. Louca fui quando contigo insisti. Passou e se eu me esfroçar, no fundo encontro o vazio que você deixou. Abandonou o lugar que em mim tinha mas deixou a luz acessa. Sabe como é, a conta ficou muito cara e tive que suspender. Ainda existe o seu cantinho, mas a escuridão, a poeira, o silêncio e a melancolia predominam. Tentar não deixar você ir é viver mal assombrada. Vai. Voa. Faz do ninho dela tua nova morada e deixa meu coração livre para novamente amar. Não foi fácil gravetinho por gravetinho reconstruir-me, e chocar o nosso amor em vão foi frustrante. O ovo realmente ficou entalado. Olha, mas agora ele se quebra. Renascimento. É oco e este novo espaço transformo no que quiser. Não volta, nunca mais. Nem para explicar o que não tem explicação. Apenas me evite e me deixe saber o quão viva em você estou. Alimente-a com a sua minhoca, e alimente meu novo eu com o fantasma do que nunca chegou a ser. Não digo que seja vontade de voltar. É apenas vontade de te marcar como um boi e deixar doer em ti, pouco que seja, o que em mim foi suplício e fazer valer a pena tantas coisas que eu achei que haviam se perdido. É apenas vontade de te esquecer mas de ser lembrada. Vontade de incomodar.

Beijocas :*

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Flashback

Você me pergunta o que está acontecendo comigo e tudo que está na iminência de ser expelido volta. E embrulha o meu estômago. Aquele vai ou não vai, querendo ir mas achando mais seguro ficar. Você me pergunta se eu estou triste, se foi algo que você fez e por um momento eu penso em te contar. Mas acabo ficando quieta esperando que você me engula. Eu queria muito resolver, aliviar tudo isso. Relax, take It easy. Mas você é tão fantástico que por egoísmo, fissura ou massoquismo eu prefiro prolongar o que eu já nem mais sei se é dor. Amoleço ouvindo a sua voz mansa e ficaria ali até que você me tomasse nos braços e, mesmo tendo o silêncio como trilha sonora, me mimasse por mais alguns momentos. Ou pela eternidade, se você quissesse. Eu me sinto tão vulnerável perante a sua grandeza. Não, não houve nada. Tirando a minha imaginação fértil e o meu coração infértil, tá tudo certo. Tá tudo legal. Queria te falar sobre tantas idéias que somem ao descobrirem que vão virar palavras. Eu estou com medo. Eu sei que vai soar como um clichê exagerado, mas eu estou com medo de perder você. Você me diz que ele vai voltar, prossegue com um riso orgulhoso da piada anterior e eu te pergunto se o que nunca veio pode voltar. Silêncio. Fico surda e continuo muda, agora movida pela vergonha de ser eu mesma. Se não delirei, escutei um suave: "Você acha impossível?". Eu não acho nada. Durante toda a minha vida eu achei muito e hoje é o pouco quem me acompanha. Eu não quero planejar, imaginar cores, formas, cheiros para o que eu nem sei se vai existir. Se vai voltar. Fora de mim, é claro. Mas eu não consigo. You make me crazy! Já te falaram isso, estou ciente. Eu tenho medo de como estou amorfa longe de você e de como você preferiu, prefere e prefirirá milhares de outras formas por aí. Eu tenho medo de te perder, repito. Perder o (pseudo) amor, o amigo, o homem. Perder tudo. Perder todos. E é exatamente por temer tanto te perder que eu me perco no meu silêncio, nas palavras não ditas e apenas fecho os olhos e peço para que o cara lá de cima seja legal dessa vez comigo. E apenas peço para que exista um pouco de realidade nas minhas fantasias. Não sei porque, acho que já vi esse filme antes ..

Beijocas :*

domingo, 3 de janeiro de 2010

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Hoje escrevo para homenagear quem por si só já é homenageada, quem por si só é exclusiva. Escrevo sobre aquela que não podemos descrever mas que passamos grande parte de nossas vidas tentando traduzir. Sentimos do que se foi e do que não chegou a ser. Ouso dizer que principalmente do último. Pode ser tudo, por não ter sido nada. Sem título, sem descrição, com alma. Pura alma. Alma pura. Às vezes aperta, esmaga tanto que acabamos deixando solto aquilo que prendemos com esforço, mas também refletimos sem perceber o que de mais sincero e feliz temos no nosso eu deconhecido por nós mesmos. É contraditória e em muito momentos chega sem razão alguma. Um cheiro, um gosto, uma música, um lugar. Desprovida de fórmula, tem a forma que a gente quiser mas vêm a tona sem a gente querer. Sinto de mim. Sinto de quando não tinha alguma consciência que fosse da dimenção de tudo isso. Medo, receio. Sinto dele. Sinto de quando tinha milhares de planos escritos na areia e a tempestade nem anunciava vir. Mágoa, questionamento. Sinto do que desconheço. Sinto do que existiu apenas na minha cabeça e que muitas vezes não foi realizado por não depender só de mim. Ilusão, tempo perdido. Sinto do que ainda vai ser. Sinto por ter certeza que ainda vou perder muitas pessoas, fisicamente ou sentimentalmente. Sei que natural são as separações e inevitável é a renovação. Nem tudo é forte e verdadeiro o suficiente. Nem tudo merece continuar. Angústia. Apenas. Sinto o que é universal. Sinto por toda a humanidade. Sinto por todos aqueles que não são capazes nem de começar a descrevê-la, sinto por aqueles que não a tem incluída em sua língua pátria. Exclusiva no meu idioma, vulgar em todo o resto. Saudade. No plural: saudades. Sinto. Só.

Beijocas :*

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Discurso de formatura (Deus)

Vivemos na era da globalização, da interação, da quebra de barreiras. Podemos nos locomover na velocidade do som, estar em diversos países em um mesmo dia, ou simplesmente mandar um “alô” para alguém no outro lado do globo. Por sua vez, apesar de tanto progresso, nossas tecnologias são capazes também de aumentar o buraco na camada de ozônio, destruir ecossistemas inocentes a nossa ganância e, como se não fosse o suficiente, eliminar o único mundo que nos acolhe diversas vezes. Cada vez com uma intensidade maior e com menos princípios ousamos na nossa brincadeira de ser DEUS. DEUS? Você acredita em DEUS?
Mecanizamos nosso trabalho, nosso lazer e até mesmo a nossa razão. Acreditamos somente naquilo que é visível e palpável, ou quem sabe, justificável por cálculos matemáticos. Matamos ao logo deste processo que apelidamos de “evolução” os instintos básicos da nossa espécie. Hoje em dia, dificilmente encontraremos alguém que sinta com frequência compaixão, amor, carinho e que saiba perdoar e respeitar o próximo. Esses valores, pregados em todas as religiões, juntamente com o nome de DEUS, ironicamente tornaram-se apenas justificativas para tantos conflitos e guerras.
DEUS, assim como a globalização, ultrapassa barreiras. Acreditar NELE é muito mais do que ser católico, protestante, judeu, budista, kardecista ou umbandista. Acreditar em DEUS é acreditar na vida, é acreditar que estamos aqui com um propósito, e portanto, todos nós, negros, brancos, pardos estamos interligados. Cada um de nós é um elo de uma grande corrente.
Hoje encerramos um ciclo em nossas vidas, talvez o mais significativo até agora. Nossos pais e mestres de guias tornam-se, a partir deste momento, platéia e nossas pernas começam a dar seus primeiros passos sem apoio. De agora em diante é de nossa inteira responsabilidade o destino de nossas vidas e, portanto, de toda a humanidade. Como diria Gonzaguinha: somos as “sementes do amanhã”. E no que as “sementes do amanhã” acreditam? Em Cristo, Maomé, Alá, Buda ou Oxalá? A pergunta correta não é no que acreditamos. A pergunta correta é se nós acreditamos. E a resposta é SIM, nós acreditamos. Acreditamos na vida, nos bons atos e pensamentos. Acreditamos nos homens e no futuro. Acreditamos em toda a humanidade e na nossa força de mudar o nosso planeta. Nós, as “sementes do amanhã”, somos o motor do mundo.
Nossa força provém do nosso DEUS, independentemente do que isto signifique. DEUS é muito mais do que imagens e conceitos pré estabelecidos coletivamente. Cada um dá um nome para esta grandeza quase inexplicável que bate, arrebenta o peito quando se é jovem, quando se tem pouca idade e milhares de sonhos. ELE não está no meio de nós. ELE está dentro de cada um de nós. Não usemos sua relatividade para disseminar o mal e nos lembremos das palavras de um livro mundialmente conhecido, O Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Só se vê bem com o coração.”.


Beijocas :*

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Passagem de ida (sem volta)

Eu poderia ter me perdido mais no teu peito, me encontrado mais em cada dobrinha da tua pele e quem sabe, ter descoberto a cada respiração ofegante e a cada batida descoordenada e acelerada do meu coração mais motivos para ter me apaixonado por você. Ouça bem, meu bem: eu só queria ter tido novos motivos. Eu só queria ter mudado aquele meu velho discurso de bochechas, inspirações e expirações. Só isso. Mas sei que amor eu não poderia ter sentido mais. Um dia, assim como uma desintegração, com a nova tão velha mania das palavras de desprenderem-se da tua boca como lâminas, você partiu. Viajou para muito mais longe do que aquilo que poderia ter sido e não foi. Acabou. Há quem diga que foi isso que aconteceu, mas eu prefiro acreditar, iludindo-me com a certeza de que a diferença da realidade e da ilusão está nas doses, que o nosso (ou meu) amor virou uma estrela. Uma estrela daquelas bem brilhantes e infinitamente distantes. Estrelas aquelas que nunca esquecemos que lá estão, mas que desistimos ainda crianças de arrancá-las do céu.

Beijocas :*

sábado, 12 de setembro de 2009

Intérfase

No dia da grande estréia, bem que a obstetra avisou: “Essa menina tem um desvio, o coração no lugar do cérebro!”, mas ninguém deu muita importância. Sempre fui como um barril de pólvora. Alguma coisa dentro de mim nunca conseguiu separar a comédia, o drama, o terror e o romance, e eu, não contradizendo as palavras da médica, explodia em milhares de lágrimas e sentimentos. É, eu estava predestinada a ser filme água com açúcar. Cresci e meus pais tiveram que deixar de pensar por mim. Foi assim que me tornei então, campo de experimento de mim mesma, campo de experimento do meu coração. Eu nunca te disse, mas sinto falta da vertigem que era te ter ao meu lado, de descobrir todo dia, entre respirações e expirações na sua nuca e mordidas na sua bochecha, o motivo do meu coração estar no lugar errado: você era, finalmente, o lugar certo. Apesar do meu filme, do nosso filme não ter terminado com “e viveram felizes para sempre”, dou continuidade, pois a platéia espera lá fora. Espero então que de alguma forma você descubra: está guardado. O meu coração quebrado, as cenas cortadas e todo resto. É só você querer montar.
(Texto concorrendo no Tudo de Blog - "Minha vida daria um filme!")


Beijocas :*

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

(Des)umano

Você odiava o meu cabelo preso, eu me lembro bem. Eu me lembro bem que não importava o quanto eu te explicasse como ele estava feio e implorasse para me deixar ficar daquele jeito, para me deixar ser daquele jeito: você sempre puxou o elástico. Quando eu era criança, sempre quis ser aquela menina dos cabelos grandes e lisos. Aquela que é a mais bonita da turma, que não é gorda nem desajeitada, e que todos os garotos no auge da sua idade mental (uns sete anos, depois as coisas começam a declinar) são apaixonados. Aquela que te faz parecer mais feia do que realmente é e traumatiza não só o seu primário, mas toda a sua vida, fazendo você mais tarde achar que seu peito é pequeno, sua bunda não existe e que ele nunca está olhando para você, é sempre para a sua amiga do lado. A mulher que não foi essa menina, com certeza, conheceu uma dessas. O tempo passou, as escovas progressivas, definitivas, marroquinas e indianas foram inventadas e todas nós pudemos, finalmente, sermos felizes. Enfim, expus meu trauma pré adolescente apenas com a função de base para meu argumento: jamais prenderia meu cabelo depois de anos de sofrimento se o mesmo não estivesse realmente "insoltável". Mas o mais engraçado disso tudo, é que mesmo depois de tanta autoridade e convicção, eu ficava feliz de verdade quando estava do jeito que você queria, eu me sentia bonita de verdade quando estava dentro dos seus moldes de beleza, eu me sentia completa de verdade quando você me aceitava. Eu construí um mundo a nossa volta. Um mundo onde ninguém transpira ou se cansa. Onde todos os dias, todas as horas, todos os minutos, eu estava perfeita e a sua disposição, embora eu ache que você nunca prestou muita atenção nisso. Mesmo que não tenha conseguido, eu juro que tentei. Eu tentei não ser humana, porque como diz o ditado: "errar é humano". Desde o dia em que você se transformou perante as minhas retinas e me fez gostar da idéia de os meus filhos nascerem com o queixo um pouco mais pontiagudo, eu dediquei todo o tempo que ainda restava da minha existência na difícil (impossível) tarefa de te agradar. Eu queria ser a mais feminina possível, não só por ter uma alma meio viadinha, mas para você parecer muito mais homem e másculo ao meu lado. Ou será que era para eu parecer mulher de verdade ao seu lado? Não sei. Mas o fato é que quando você me olhou e perguntou o que eu tinha que fazia você sempre querer voltar, eu me senti tão, tão pequenininha e frágil que queria voltar mesmo era para o útero da minha mãe. Eu vivia assim com você: entre antíteses. Entre altos e baixos. Entre me achar mulher fatal e guardanapo usado. Entre dormir feliz por termos saído e acordar com nós separados. Um dia aconteceu. Um dia o seu sorriso ficou meio forçado, seu intusiasmo não era o mesmo do início e você não conseguia esconder, embora negando, o quanto a minha companhia tornou-se um peso. Eu fiquei tão, tão pesada que me machuquei muito quando, inutilmente, tentamos arrastar para o futuro o que eu tinha que fazia você sempre querer voltar, mas que tinha se perdido em algum lugar do passado. Mesmo vendo a cada dia o que nós tínhamos ficar pequenininho até desaparecer, eu nunca derrubei os muros que ergui envolta daquele mundo que construí. Estava ali, como eu gostaria de estar: intocável. Mesmo vendo muitas outras mulheres entrando e saindo da sua vida, eu queria continuar como uma boneca de coleção, esperando pelo dia em que você quissesse novamente me tirar da caixa. Hoje eu até ensaiei uma corrida atrás do seu ônibus, mas minhas pernas não recebem mais motivos para isso. Eu coloquei a culpa no muro pelo meu deslize. Talvez até seja. Talvez eu realmente ainda queira que você me queira, assim como todo homem quer um pedaço de coxa ou de bunda. Sem carinho, sem admiração e sem paixão mesmo. Querer só por querer. Talvez eu ainda nutra essa vontade utópica e imbecil de você sempre me achar linda e desejar até a sua última pontinha de unha não ter me deixado. Talvez seja por isso que eu me senti tão fracassada por estar ali, suada, de cabelo preso e cara lavada. De um jeito que você nunca me desejou ao seu lado. É, talvez. Mas foi naquele instante, entre o passo adiante e a conscientização de que era melhor não correr atrás, que eu olhei uma gotinha de suor no meu braço e descobri: ufa, voltei a ser humana!

Beijocas :*

domingo, 6 de setembro de 2009

Intransitividade

- Você hoje em dia me chama de garota, mas olha que lindo o que eu achei aqui.
(pausa)
- O que tem de lindo?
- Não sei se lembra, mas foi você quem me mandou isso.
(risos)
- Sério? Você conhece as minhas amnésias.
- Infelizmente conheço.
(silêncio)
- Por que você ainda guarda isso?
- Eu tinha até esquecido, mas achei aqui. Guardei porque era um motivo bom para lembrar de você, no meio de tantos ruins.
- Você não tem mais o que fazer mesmo.


Beijocas :*