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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

My tears dry on their own - A nossa versão brasileira

Foda-se o ano novo. Não aguento mais todo mundo venerando a virada de um ano como se fosse um grande acontecimento, como se todos os problemas fossem sumir, como se todos os sonhos fossem ser realizados. Não aguento mais essa felicidade estúpida em acreditar nisso tudo, nem a ignorância que bloqueia a razão para os fatos reais. Para falar a verdade, hoje, eu não estou aguentando estar dentro de mim. Queria ter um zíper nas costas para nessas horas poder recolher meu espírito e descansar o meu corpo em algum lugar longe disso tudo. Pela primeira vez na minha vida, não fiz promessas, nem pedi nada com muita fé. Pela primeira vez não quis que o ano virasse. Não queria mudar o calendário e automaticamente deixar a gente para trás. Não queria continuar sentindo tanto a sua falta e ver como o tempo está me empurrando mais e mais para frente de tudo aquilo, como a distância entre nós aumenta a cada dia. E acredite, tudo que eu mais queria nesse mundo era estar te tratando assim, como trato as formiguinhas que aparecem na cozinha: como nada. Não é suficiente te tratar como nada na frente dos outros, tudo que eu mais queria era te tratar como nada para mim. Não aguento mais também as pessoas falando que é muito pouco para eu ficar assim, que você não presta, que não vai ser o último homem da minha vida, muito menos que eu devia pensar mais no meu futuro do que em um cara que ainda precisa da ajuda da mamãe para terminar com alguém. Eu queria viver a minha dor sozinha, queria chorar e sorrir quando eu tivesse vontade, não porque os outros acham que tudo isso é uma grande bobagem. Pode até ser uma grande bobagem, mas então, por favor, me deixem com a minha bobagem. Foi a minha bobagem que muitas vezes me deu vontade de acordar, me deu vontade de sorrir, me deu vontade de me arrumar, me deu vontade de estar viva. E se ter vontade de estar viva não for algo forte demais, por favor me matem, pois não acredito que possa existir felicidade maior do que aquela que sentimos simplesmente porque vemos até cores onde tudo é cinza. Felicidade sem vaidades, ser feliz só porque não existe um motivo maior para mudar a forma maravilhosa como a qual nos sentimos. Por falar em ver cores, nada ultimamente tem enchido os meus olhos, nada tem sido maior do que essa vontade de ter você que de tão louca chega a ser uma não vontade. Dizem que essa crise de abstinência é justamente culpa do meu desânimo, e para ser honesta, eu também acho. Mas de qualquer forma, isso não muda a forma como eu me sinto, nem a minha vontade incontrolável de chorar, de odiar o mundo e de querer sumir. Corro de um lado para o outro do quarto, pulo, soco a cama, vou para a janela e choro. A rua está deserta, só consigo ouvir o barulho de alguns carros e o meu próprio choro. Parece que todo mundo está feliz com o pseudo começo de uma nova e perfeita vida e eu sou a única anormal que faz disso o motivo de uma agonia bem maior. Sou ridícula, em todos os sentidos. Mas sou ridícula principalmente por escrever tudo isso. Me incomoda me sentir assim, me incomoda sentir sua falta, me incomoda esse desencanto momentâneo (ou não) pela vida, mas eu juro, isso tudo é muito mais forte do que eu. Não é pouca coisa dizer que "isso tudo é muito mais forte do que eu", porque desde que você foi embora e todas as vezes que eu tenho vontade de explodir o mundo, eu me controlo muito para não fazer nada que meu desespero e minha ânsia por algo real e melhor me imploram. Não sou fraca por chorar, nem por achar isso tudo uma grande merda. É a minha forma de sofrer sem que ninguém mais se envolva, sem que ninguém mais tome conhecimento, sem que ninguém me ache boba ou sinta pena. Nem você, nem ninguém. Sei que uma hora passa, sei que uma hora volta, e é assim que eu vivo desde agosto, o mês do desgosto, como dizem por aí: na corda bamba. Eu quando era menor, consegui me desequilibrar de um pedaço plano gigante de pedra e cair em um mague, então por favor, não me faça ter que me equilibrar nos meus sentimentos por você. Você sabe que desde sempre tudo entre nós funcionou por impulsos, movimentos e ações rápidas. Não tem como ser ligeira e não cair do último fio que ainda insiste em existir, pelo menos para mim, de nós dois. Sei que existem milhares de pessoas se matando, passando fome, frio .. Sei que milhares de pessoas venderiam a alma ao diabo para ter a vida que momentaneamente julgo uma grande porcaria, mas entenda que, mesmo que pareça um pouco egoísta, quando você me abraçava, quando eu olhava nos seus olhos e de repente você abria aquele sorriso e falava qualquer coisa com aquela sua voz mansinha, aquela de quem sabe ser fofinho e deixar uma mulher louca, tudo no mundo sumia. Eu só conseguia enxergar você e eu, exatamente nessa ordem. Você dizia com aquela intonação de casal mela cueca misturado com aquele seu jeito único de falar que eu iria te deixar mal acostumado com tantos mimos. Sei que deixei, mas você me acostumou a ver o mundo a dois, sendo você a parte restante, ou melhor, complementar a mim. Você, mesmo sem querer, me deixou mal acostumada também e de uma hora para a outra virou as costas e foi embora. Sei que você não tinha obrigação de aguentar minhas crises loucas por não aguentar estar tão feliz e achar que logo algo ia dar errado, mas se não fosse a minha loucura de te querer tanto, essa loucura toda que aconteceu entre duas pessoas que nunca darão certo, como você mesmo afirmou para eu nunca mais esquecer, nunca teria existido. Depois que a crise passa, depois que as lágrimas cessam e eu sinto aquela paz e leveza por não ter mais dentro de mim milhões de litros de água, eu consigo enxergar que isso faz parte do processo de ver você indo embora, de ver minha vida mudando, de ver as minhas certezas e bases se modificando, em todos os campos possíveis, independentemente da minha vontade. Tirar você de mim é como tirar algo que está fixo ao meu próprio corpo, porque é assim que eu te trato desde que eu te olhei e não te achei mais tão sem sal, desde que eu vi em você, ou pelo menos achei que vi, o homem da minha vida. Carrego você para todos os lugares e é tão óbvia a sua marca em mim que qualquer um consegue perceber. Você não me deu direito a anestesia, simplesmente arrancou e deixou sangrando. Mesmo que pareça uma metáfora cafona e clichê, foi extamente isso que você fez: limpou sua consciência e jogou o papelzinho com toda culpa para eu limpar o buraco que a sua ausência formou. Você já não é mais tudo isso a muito tempo, mas tudo entre a gente é tão mal resolvido que eu chego a pensar que você acha que estamos muito bem enterrados. Se você olhasse nos meus olhos e não me beijasse para disfarçar a seriedade da situação, assim como você sempre fez, e falasse tudo aquilo que covardemente disse por trás de uma tela de computador, eu juro que enxergaria a realidade, embora talvez, não sem dor. Mas a gente disse adeus de uma forma tão impessoal, que eu mal consigo acreditar que o mesmo homem a quem desejei diversas noites ao meu lado, não só naquela cama estreira, com o nome de péssimo gosto "solteiro", mas sim, aquele que eu desejei se não pela minha vida inteira, pelo menos por um tempo maior, foi o mesmo que recusou um contato mais íntimo: um vulgo telefone. Aparelho com o qual eu falo com o carinha do telemarketing, que provavelmente tem um nome muito atraente de Waldescreisson, Uwashington, Creyton e similares. Cansa te odiar, cansa gostar de você, cansa até reler esse texto e te falar mais algumas toneladas de estrume que estam entaladas na minha garganta, e que talvez adubassem sua consciência e incentivassem crescer em você uma atitude de homem como um: "Fui um merda, eu assumo!". Mas como, pelo desenrolar das coisas, eu não posso esperar muito de você, termino esse texto, que me dá ódio por não ser mais um daqueles textos imponentes, com um trecho de música que talvez surtisse em você um sentimento blasé, mas que pouco importaria para mim. Afinal, sou eu no final das contas quem sempre lidou, sozinha, com tudo que sentiu por você e pelo mundo: "Ele vai embora, leva o sol consigo, mas eu já sou crescida. Nesse céu cinza, minhas lágrimas secam por elas mesmas.".

Beijocas :*

3 comentários:

Pedro disse...

" afinal, sou eu no final das contas quem sempre lidou, sozinha, com tudo que sentiu por você e pelo mundo " NÃO ! voce sabe que não tá sozinha , e nunca esteve ! mesmo sendo um puta texto de desabafo foda , voce sabe que ficar remoendo a mesma situação toda hora é dar muita moral pra quem não merece nem um pouco . O que todos falam que é muito pouco pra ficar assim é apenas um modo de tentar mostrar a realidade . amor , vai ficar tudo bem . Eu te entendo porqe te conheço . E eu sei que isso é só um momento , que tudo vai acabar bem . minha preocupação é só porqe te ver assim me deixa indignado !!! Eu só quero te ver bem e te ajudar no que for preciso a superar todos os obstaculos que voce tiver na vida :)

Sabrina Garcia! disse...

nossa, até parece que você me conhece e escreveu sobre mim nesses texto, euu passo pelo mesmo falo de dizerem que é bobagem eu ficar sofrendo, chorando e querendo de volta, só que ninguém sabe o tamanho da nossa dor e a nossa vontade né!

beijão táa de Parabéns !:D

Érika Meirelles disse...

Na boa amiga, vou te contar que você me fez chorar com esse texto maravilhoso !
Meus parabéns, minha fofoleti !
E você, na maioria das vezes, chorou com a mesma razão que lhe deram para amar. Nunca oi a toa, nunca foi em vão. Ninguém sente o que está no seu coração, por isso, tendo o direito de ter o amor só pra você, você tem todo o direito de sofrer pelo que quiser e dar ou não a explicação que julgar plausível.
Só você sabe o que passa ai dentro do seu coração, ninguém ama por você muito menos sofrem por um amor que você viveu, então se você quiser chorar, gritar, chutar ou até se declarar mais uma vez, a opção é sua e ninguém tem nada ocm isso.
Mas como o seu amigo falou, você não está nem nunca esteve sozinha.
Você ao menos sempre terá a mim, desde pequeninas, para toda a nossa vida.
Te amo !