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domingo, 6 de setembro de 2009

Intransitividade

- Você hoje em dia me chama de garota, mas olha que lindo o que eu achei aqui.
(pausa)
- O que tem de lindo?
- Não sei se lembra, mas foi você quem me mandou isso.
(risos)
- Sério? Você conhece as minhas amnésias.
- Infelizmente conheço.
(silêncio)
- Por que você ainda guarda isso?
- Eu tinha até esquecido, mas achei aqui. Guardei porque era um motivo bom para lembrar de você, no meio de tantos ruins.
- Você não tem mais o que fazer mesmo.


Beijocas :*

domingo, 16 de agosto de 2009

Greenpeace, Emotionpeace

E no meio de tanta violência, de tantas armas e de tantas balas perdidas, eu percebo, mais a cada dia, que o verdadeiro perigo do mundo são as próprias pessoas. Ao invés de usarmos coletes especiais, deveríamos blindar nossas almas e nossos corações. A vida é delicada, mas realmente vulneráveis são os nossos sentimentos. Todo estão muito preocupados em não desperdizar água, em poupar energia, em preservar o meio ambiente .. Por que não podemos, então, não desperdizar, poupar e preservar o que sentimos? As nossas lembranças, as nossas saudades. Cada um de nós vem ao mundo com uma língua própria e é inocente demais pensarmos que qualquer um poderá decifrá-la. Dias, semanas, meses, anos, séculos passam e entre tantas guerras em nome de Deus e destruição em nome do progresso, eu continuo com essa coisa pré-histórica no meio do peito. Antiga demais para ser lembrada e moderna demais para ser entendida. Carrego comigo pessoas que existem, mas que eu própria moldei. Pessoas que se assustam com o que poderiam ser nesse mundo que construí. Pessoas que a todo momento querem ir embora desse mundo que me foi imposto. Levo comigo a saudade do que existiu somente dentro de mim e que nem por isso é menos real, a vontade de seguir em frente, mas querendo retroceder. Sinto-me em um tiroteio de emoções e volto a ser o que talvez nunca deixei e deixe de ser. Volto para debaixo das minhas cobertas e apenas, com os cílios um pouco molhados, ou não, fecho meus olhos. Aceito o que me é dado, aceito a vida que deve continuar seu curso natural. A vida continua, sempre continua.

Voltei, gente! :) Sou uma vestibulanda, né? hahahaha .. E juntar tempo e inspiração anda difícil ..


Beijocas :*

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Carta para Marta Medeiros



"Com base nos textos trabalhados em sala, de autoria de Lya Luft e Marta Medeiros, escreva uma carta argumentativa, endereçada a uma das autoras acima referidas, respondendo à seguinte questão: "Você tem fome de quê?" Um dos argumentos deverá, obrigatoriamente, apoiar-se em uma idéia da autora a quem você não está se dirigindo, citando-lhe o nome. Sua redação será construída em estrutura de 4 ou 5 parágrafos. Faça uso do tratamento "a senhora", bem como do registro da língua padrão. Utilize caneta preta ou azul."

Rio de Janeiro, 01 de junho de 2009

Senhora Marta Medeiros:
Eu, pequena admiradora dos seus textos, venho por meio desta carta explicitar minha fome. Suas palavras foram bombas calóricas que me energizaram para falar, desconsiderando a balança do coração e os centímetros a mais na cintura da consciência. Hoje está chovendo aqui na Tijuca, e a água, ao invés de disfarçar a fome, deixá-la para mais tarde, faz meu estômago querer me engolir.
A paixão não é vermelha. Paixão é branca, e quando decomposta, reflete as sete cores. Eu tenho fome de paixão, fome de cores e de vida. A gravidade evidencia o peso do meu corpo, mesmo corpo que era leve e colorido, e que agora mendiga as migalhas de alguém que ignora seu estado morimbundo.
"Fome de confiança: ah, essa não dá para esquecer.", disse Lya Luft. A cura para minha fome está na autotrofização do meu ser, na minha autoprodução de felicidade e aconchego, na confiança em quem nunca me abandonou, ou mentiu: eu mesma. Sei que tenho que me alimentar, mas faltam-me forçar para levantar o garfo.
"A fome é mais violenta do que o desejo.", não me restam dúvidas. Mesmo querendo ficar, mesmo desejando desejar modernamente, minha fome todo dia grita que não nasci para isso. Tenho dois olhos, um nariz, uma boca e sou considerada perfeitamente inteira. Por que viver então com o coração aos pedacinhos? Vago pelas ruas tentando esquecer o farto banquete e procurando qualquer média requentada.
Reclamo da fome mesmo sem nunca ter conseguido ficar plenamente satisfeita com a saciedade. Fome de vencer, fome de ligações, fome de carinho, fome de presença, fome de consideração, fome de paixão. A vontade de comer cores, vida é o que nunca deixa a acomodação chegar e nos faz levntar da cama todos os dias.

Atenciosamente,
CBN



Beijocas :*

domingo, 14 de junho de 2009

Não diz nada

Não diz para mim que você pensa em mim, não diz para mim que você pensa no meu futuro. Tem gente demais já cuidando disso. Até demais. Não diz para mim que você vai embora, que é melhor, que eu vou ficar melhor. Você não vê que eu não quero ficar melhor? Que eu não consigo acreditar que exista algo melhor do que aquele seu abraço até estalar todos os meus ossinhos, do que o seu cheirinho escondido em uma dobrinha do seu pescoço, e do que a sua bochechinha molenguinha? Eu preciso muito de você, nem que seja de vez em quando, nem que seja te dividindo em mil pedacinhos tão meus para mil outras meninas. Não diz que é injusto. Injusto é esse buraco no meio do peito, é o meu coração pequenininho, é essa vontade de ficar em algum lugar bem escuro e quentinho e chorar toda essa vontade louca, forte e dolorida de ficar ao seu lado. Não diz que você evita me ver, por favor. Eu juro que eu fico paradinha, não faço nenhum barulho, mas deixa eu ficar aqui, olhando para você, me devolve aquele sorriso bobo, sem motivo que a sua vinda sempre trouxe. Não faz isso comigo. Não arranca assim, de uma vez só, algo que já é tão meu, algo que já está entranhado em mim. Cumpre o que você me prometeu três vezes. Pede para sair comigo, pede! Eu juro que nem charme vou fazer, deixo até pré avisado que aceito. Eu sempre aceitei, eu sempre vou aceitar. Fica aqui só um pouquinho. Faz meu cabelo deslizar por entre seus dedos, me abraça por trás e me desarma quando a minha vontade é tacar seu celular na parede e impedir que todos os seus amigos te achem, tira esse meu medo de dormir e sonhar com você, sabendo que ao acordar eu vou estar sozinha e encolhidinha. Não diz que você não sabe. Volta para mim, nem que seja uma vez por semana, uma vez por quinzena, uma vez por mês. Não faz eu ter que seguir em frente com toda essa tristeza aqui dentro, não faz eu ter que ignorar o meu coração murchinho, não faz eu ter que sorrir sem vontade, não faz o sol nascer e se pôr sem você, não me deixa com medo de me magoar, não deixa outra pessoa deslizar os dedos por entre meus cabelos, não deixa outra pessoa estalar os meus ossinhos. Não deixa me levarem, me deixa ficar aqui. Deixa! Não diz nada. Só diz que sim, diz que você vai voltar para mim, nem que seja de vez em quando. Nem que seja muito de vez em quando.

=/


Beijocas :*

terça-feira, 12 de maio de 2009

Carta marcada

E então me sinto tão boba, e então a vida se torna tão boba. Mesmo que nem tudo seja como eu gostaria que fosse, aquele caminho que eu percorro todo dia, aquele caminho que poderia fazer de olhos fechados e, enfim, tudo a minha volta, se torna tão bobo, tão colorido, tão bonito só porque a sua existência é algo concreto. Você existe e fim. Você existe e forma metade da minha felicidade, metade dos meus sonhos e metade de mim mesma. Tudo se torna tão pequenininho quando não é você. Você esmaga sua própria ausência com uma presença tão forte que me faz perceber que o mundo antes de você não era mundo. Era apenas o rascunho de tudo de melhor que existe, já que o melhor de verdade é poder descobrir, entre uma expiração e uma inspiração na sua nuca, a todo momento, que eu poderia viver ali para sempre. E eu te confesso que faria tudo de novo, tudo exatamente igual, porque apesar das milhares de piscinas que eu enchi quando você foi embora, viver sem ter conhecido você, seria viver sem vida, viver sem graça, viver por viver. Eu tenho milhares de defeitos, mas eu te juro que nunca nenhum deles será maior do que eu guardo aqui dentro. Do que eu guardei aqui dentro durante toda a minha vida só para você. Eu passo por cima de tudo, não me importo. Se o meu coração for grande demais, eu diminuo. Se o querer estar perto for demais, eu me afasto. Se as demonstrações de afeto forem frequentes demais, eu guardo. Só me deixar ficar aqui, por favor. Me deixa ficar aqui olhando para você e querendo morrer toda vez que a gente se despede. É nessa minha morte e na minha ressucitação toda vez que você volta, que eu percebo o quanto tudo isso, que é uma grande merda, pode ser lindo. O meu amor, de tão grande, te dá autonomia para fazer o que quiser, porque ele sabe que assim, e só assim, você pode voltar. Voltar porque quer. E então, toda vez que você me abraçar durante o nosso caminho testemunhado por tantas pessoas desconhecidas, eu vou deixar. Vou deixar que elas pensem que nós somos um casal de verdade, daqueles que planejam o nome dos filhos e uma casinha de cercas brancas, mesmo que eu não saiba como estaremos daqui a uma semana. Vou deixar a gente parecer, vou deixar a gente sempre só parecer o que eu queria que a gente fosse. O que eu sempre quis que a gente fosse. Dizem que querer é poder, e então hoje, mais do que nunca, eu quero. Acima de querer parecer o que não somos para aqueles que não conhecemos, acima das minhas vontades, acima de todas as verdades. Eu quero, eu escolho. Escolho você. E escolheria você todas as vezes que me dessem a opção de mudar. Eu não quero mudar. Eu quero continuar aqui, empacada no mesmo lugar, se isso significar que você vai continuar fazendo com que eu me sinta boba e tenha vontade de espalhar a minha bobagem pelo mundo. Se isso significar que você vai continuar aqui, do jeito que for, fazendo com que eu ame cada pedacinho seu. Se isso significar que, de uma forma ou de outra, você é meu.

Beijocas :*

sábado, 9 de maio de 2009

Transversal

"Não acho a nossa relação justa.", você me disse. Eu procurei então não pensar na realidade da sua frase e apenas olhei fixamente para a calçada. Eu tive medo. Eu tive muito medo. Seria cruel demais olhar para você e ver a provável pena que tem de mim. Doeu, mas eu ignorei a minha dor. Não é fácil. É como se todo dia o meu coração enfrentasse uma guerra. É como se cada vez que você se divertisse sem mim, é como se cada dia que se passasse sem você me procurar, é como se cada outra pessoa que você beija comprovasse o quanto você é completo na minha ausência. É como se as milhares de minas que eu guardo aqui dentro fossem ativadas. Uma de cada vez. Uma a cada dia. É como se você explodisse aos pouquinhos o que mesmo construiu. Fizemos questão de deixar claro que somos livres, porém unidos pela vontade. É o nosso contrato. Contrato que ninguém pode ver, contrato que não está em papel algum. Contrato feito com o coração, ou com a falta de. Contrato que me anula completamente, que me torna uma peça anatômica frente ao que eu sinto. Não, não é justo. Mas antes que tivesse tempo de concordar com você, me lembrei daquele dia. Aquele dia. Dia aquele que eu pensei que poderia me dar uma nova chance, dia aquele que eu pensei em dar uma nova chance para alguém. Foi nesse dia que, por alguma interferência divina, a gente se cruzou. Eu indo e você vindo com os nossos respectivos e novos alguém's. Foi por lembrar desse dia, foi por lembrar que eu cheguei em casa me sentindo suja por ter a sensação de estar te traindo, foi por lembrar que eu me senti pequenininha por ser tão óbvia a facilidade da minha substituição, foi por lembrar que eu fui obrigada a te ver feliz com alguém que, com certeza, não sentia a metade do que eu sentia e mesmo assim merecia mais do que eu estar ali que eu comecei a achar super justa a possibilidade de poder escolher estar com você de novo. Me disse que não sabia porque fazia aquilo, que um dia ia mudar, que pensava em mim depois. Cada gesto seu recuado, cada atitude sua contida, cada frase sua receosa percorria o meu corpo como se tivessem acabado de despejar um balde de água fria em mim. E eu ficava ali, paralisada, com aquela sensação de gelado que a gente tem quando fica com vergonha e não sabe o que faz. Eu queria só que você me abraçasse e me desse a segurança que me faltava, mas eu já aprendi que não posso esperar que você corresponda a todas as minhas expectativa, por mais que você se esforce. Como se fosse superior a tudo aquilo, como os adultos fazem com a banalidades contadas aos prantos pelas crianças, eu sorri. Sorri, mesmo sabendo que depois, no meio da minha diversão em algum lugar, vou sentar e ficar lá, intacta, olhando fixamente para aquela cadeira vazia. Aquela cadeira é sua mas falta você, e por algum motivo que eu não sei, eu vou achar aquela cadeira tão parecida comigo então. E mesmo com todas as minhas pequenas decepções, e mesmo com toda a sua ausência, e mesmo com todo esse contrato que me desfavorece por completo, eu vou continuar no mesmo lugar, ao lado da cadeira vazia, zelando para que ninguém sente-se nela. Esperando você com a certeza de que não foi por acaso que a gente se esbarrou com os nossos novos alguém's, com a certeza de que é realmente Deus escrevendo certo pelas nossas linhas que, como diria a Tati, se não fossem tão tortas, não teriam se cruzado.

Beijocas :*

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fobialidade

Eu não sei ser feliz. Sempre achei isso, mas sempre achei que as pessoas me achariam louca também. Então, não deixando a minha mania de querer agradar a todos menos a mim mesma de lado, engoli. Mas entalou. E não sai. Mesmo se eu beber trezentos litros de água, tossir ou vomitar. Não sai. Fica ali, no meio da minha garganta, me lembrando a todo momento que eu não sei lidar com a tal da felicidade. Não é a rejeição, a saudade, o machucado. Nada disso. Não é a tristeza que doi de verdade. O que doi de verdade é a felicidade. Ser vítima é mais fácil. Lamentar, reclamar, chorar, espernear, culpar. Tudo isso é anos luz mais fácil do que se permitir ser feliz. Sem medo de errar, durante uns noventa por cento da minha vida, eu reclamei por estar gorda, ter cabelo enrolado, estar sozinha, ser feia, desajeitada ou por me sentir excluida. Durante todo esse tempo, eu acordei todos os dias pensando no que poderia fazer para mudar o que me deixava para baixo. Ao mesmo tempo em que eu buscava a felicidade, buscava a mim mesma. A vida é muito complexa, e para diminuir a minha impotência diante a sua complexidade, eu vesti a capa de coitadinha e sai por ai. E agora? O que eu faço? Como eu vou viver sem a minha capa? É como aquela história da terceira perna: não me permitia andar, mas fazia de mim um tripé estável. Não felicidade, não vai embora não! Eu só quero que você me ensine a lidar com a sua vinda, principalmente porque me contaram que esta é sempre breve. Aceita um café? Bolo? Se eu for uma boa anfitriã, a senhora fica mais um pouco? Entre todas as variações da felicidade, a mais difícil é a respectiva ao amor. Independentemente do que se ama, tirando o amor próprio, já que eu nunca o conheci muito bem, se ama aquilo que está fora de nós e, portanto, está fora do nosso controle. Mas sabe, se eu não consigo ao menos controlar as ações provocadas pelos meus próprios hormônios, como eu poderia querer controlar as outras pessoas? Pessoas são complicadas, mas a felicidade é mais. A felicidade me deixa tão leve que eu tenho que me prender a tantas neuras só para não sair voando por ai e, quem sabe, cair sem para quedas de volta a realidade.

Beijocas :*

terça-feira, 14 de abril de 2009

"One step at a time!" ;)

Revista Capricho
Edição nº 1068 - 12 de abril de 2009


Beijocas :*

domingo, 5 de abril de 2009

Enfim, eu amo você!

Vazio. E pela primeira vez eu me sinto tão bem por estar me sentido tão vazia. A razão de todos os meus dias, a tantos e tantos dias, era simplesmente odiar o dia de hoje e todos que ainda viriam. Odiar todas as coisas boas, toda a felicidade que insistia inutilmente em bater a minha porta, já que me permitir ser feliz depois de tudo aquilo, significava me permitir esquecer de você também. E agora? O que farei do meu dia, da minha semana, do meu ano condicionados, quase que exclusivamente, ao lamento e ao ódio que não mais têm razão para existirem? Hoje eu poderia beijar o céu e abraçar as nuvens, já que me sinto tão leve que me sinto capaz de voar também. Eu nunca deixei de acreditar em você, mesmo que com todos os motivos do mundo, eu nunca deixei de acreditar naquele garoto maravilhoso por quem eu me apaixonei. Por um pouco mais de meio ano, eu cuidei para que tudo estivesse perfeito para quando você resolvesse voltar atrás. Mesmo que na calada da noite, mesmo que longe de mim mesma, eu cuidei para que aquele lugarzinho que você tinha dentro de mim nunca acabasse. Nutri todos os meus dias sem vida com toda aquela nova vida maravilhosa que você trouxe. Nutri todos os meus dias confusos com a certeza que eu tinha que, entre uma inspiração e uma expiração na sua nuca, ali era o lugar pelo qual eu esperei a vida inteira. Nutri todos os meus dias chatos lembrando de todos aqueles momentos, que de tão legais, me faziam ter o mesmo sorriso bobo, independentemente de quanto tempo tivesse se passado. Muitos chamaram isso de burrice, outros de massoquismo, mas eu realmente não me importei. Abrir mão de andar para frente só porque andar para trás era ter a certeza de esbarrar com você muitas vezes, era algo forte e maravilhoso demais para qualquer um entender. Às vezes eu começo a observar as pessoas e me dá tanta pena e tanta vontade de rir. Tanta gente por aí se preocupando com tantas coisas bobas, fazendo tantas coisas lamentáveis .. Com certeza, nunca tiveram alguém em suas vidas como eu tenho você na minha. Sem medo de parecer exagerada: você mudou muito a minha forma de ver o mundo. Desde o início, quando você me deu vontade de ir atrás do que eu queria, do que me faria bem, até agora, quando vejo total sentido na frase: "Amigos de verdade beijam na boca!". Sempre achei que as duas coisas não poderiam se misturar, mas hoje vejo o quanto estava errada. Acima de qualquer coisa, eu quero o seu bem, a sua felicidade, a realização dos seus sonhos. Faria qualquer coisa que pudesse para te ajudar nisso e acho que esse é o papel de um amigo. Mas não posso negar que, estar com você, mesmo que só de vez em quando, faz parte de um dos meus sonhos também, e a partir daí começo a concluir que poder te abraçar, te beijar, conversar com você, sentir seu cheiro e sua presença vale mais do que qualquer compromisso. Sei que muitas pessoas não desculpariam o que eu desculpei, mas acho bobagem insistir em bobagens. A gente sempre acha que a morte está longe da gente, mas para morrer basta estar vivo. A vida passa tão de pressa e acho que o maior erro que podemos cometer é não demonstrarmos a quem gostamos o quanto eles são especiais para gente, por orgulho ou por medo. Se hoje me dessem a oportunidade de fazer um pedido em relação a nós dois, eu pediria para que sempre existisse um misto de romance com amizade entre a gente. Assim, como namorado, ficante, ou amigo, assim, de uma forma ou de outra, nós nunca mais ficaríamos separados. Então, termino dizendo o que há muito tempo penso em dizer, sem me preocupar se vai parecer apelativo ou clichê, se vai parecer sincero ou não: eu amo você. Eu amo sim, e amor, é para sempre.

Beijocas :*

terça-feira, 31 de março de 2009

Um dia daqueles

Voltou. É, eu sei que sempre volta. Mas é melhor pensar que não volta nunca. E volta sempre. É hoje o dia, o dia de sentir todas as dores do mundo, de sofrer por aquilo que não doi mais, de pensar naquilo que não mais existe, de querer gritar o que não pode ser ouvido. É hoje o dia de chorar por tudo e por isso mesmo, é hoje o dia de chorar por nada. Chorar por chorar, chorar tantas coisas juntas que tantas coisas perdem o motivo. Chorar para aliviar, mesmo que o alívio só venha quando o que voltou for embora. Vai embora como veio: do nada. É, é hoje o dia .. E eu só queria alguém que me cheirasse até aspirar todo o meu cheiro, alguém que me olhasse como se eu fosse a única mulher de um mundo cheio de homens, alguém que me ligasse só por ligar, só para ouvir a minha voz, só para falar que me ama. Alguém que segurasse a minha mão, como se esta fosse um oscar, e andasse comigo na rua, como se fosse a passarela do Fashion Week. Alguém que me esperasse na esquina de uma rua simpática e que quando me abraçasse fizesse todo mundo morrer de inveja da nossa felicidade. Alguém que fosse idiota comigo, que achasse graça nas minhas caras bobas e nos meus "oooooooiiiiiin's". Alguém que perguntasse como foi o meu dia e ouvisse com um interesse absurdo o que eu comi no café da manhã. Alguém que .. Ah, chega de drama! Estou precisando de alguém que me pegue de jeito. É, uns beijos, uns amassos .. Nada emocional, só envolvimento físico. Que beleza .. Que tristeza! Não, eu estou precisando na verdade ficar sozinha, ficar quietinha e lamentar não ter aproveitado o tempo, quando eu só queria crescer, porque agora, eu só queria estar protegida no útero da minha mãe. Eu queria entrar numa bolha blindada e não sentir nada. Não queria sentir raiva, dor, cansaço, tédio, alegria, tristeza, amor. Nem amor. Queria virar uma peça anatômica, sem sentimentos, sem expressão facial, em alguma faculdade renomeada só para me abrirem e me estudarem até descobrirem o meu problema, porque sinceramente, nem eu consigo descobrir. E já que hoje é o dia, porque não tentar sofrer um pouco mais? Então eu vou para o shopping e fico andando, procurando em cada vitrine um motivo para chorar. Procurando em cada vitrine um motivo para ter pena de mim por estar ali sozinha procurando motivos. Começou a chover. Yeah, sempre fico deprimida com chuvas! Mas ai a chuva me lembra você. Me lembra aquele vinte de nove de agosto de dois mil e oito, quando eu voltei no meio do maior temporal para casa, me molhando só para sentir que, apesar de você ter ido embora da minha vida com um depoimento naquela merda de orkut que não existia a cinco anos atrás, eu estava viva. Eu iria sobreviver. E eu sobrevivi. Afinal, não estou aqui? É, eu sempre soube. Você não gostava de mim. Nem um tiquinho. E eu gastando todo o meu dinheiro e o meu tempo para tentar me sentir como você e suas escolhidas se sentem fazendo xixi. Porque você não falou logo tudo de uma vez na minha cara? Porque você chegou em casa e me mandou aquela merda? Custava falar pessoalmente aquela enrolação toda? Sei lá, talvez eu me sentisse menos lixo. Eu lembro que perguntava para todo mundo se você ia voltar, mesmo sabendo que você nunca tinha vindo de fato, só para uma hora escutar que sim e poder ir embora para arrumar os preparativos para a hora que você retornasse. Então, eu esperei. Esperei, esperei, esperei, esperei .. E quem sabe, espero até hoje. Ou não. Sofri .. E quem sabe, sofro até hoje. Ou não. Vejo a minha cachorra deitada, toda aberta no sofá. Chego perto. Ela faz tanta festa quando eu chego em casa, gosta tanto dos meus beijos, implora tanto para dormir comigo. Ela precisa tanto de mim .. Porque você não é a minha cachorra? Ei, olha para mim! Eu tento a todo custo fazer você me notar, mesmo que tente me transformar no que eu não sou, no que eu não gosto, no que eu não sinto. Foda-se, você não gosta mesmo de mim .. Ih, vieram me contar que eu agradei a alguém. Nossa, eu agradei a alguém! Viu? Será que foi porque eu me aplumei demais? Ah, eu queria que alguém falasse que eu posso parar de fingir, porque sabe, maquiagem demais e prolongadamente estope os poros e eu já estou a ponto de explodir! Explodir com tantos "se's", com tantos "um dia você encontra", com tantas indiretas tão diretas. Ah, amor da minha vida .. Quem é você mesmo? É, eu falei. É hoje o dia. Dia do que mesmo? Nem eu sei.

Beijocas :*