CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

domingo, 16 de novembro de 2008

Dez minutos

Eu não te esqueço porque você mandou eu te esquecer e eu me recuso a fazer tudo que você quer de novo. Me recuso a abaixar a cabeça, me recuso a ser obediente. Eu gosto da nossa história desse jeito. Eu gosto que ela tenha muitos "porém's", muitos "se's" e muitas coisas mal resolvidas, porque assim, a gente ainda se mantém ligado de alguma forma e eu não sou obrigada a agir como se fosse sua amiguinha. Amiguinha agarra amiguinho? Não, né? Que péssima amiga eu seria para você! Eu gosto de você não ser indiferente a minha presença, mesmo que para isso, algumas vezes, eu tenha que combater a revolta de todas as coisinhas mal resolvidas aqui dentro de mim. Mas eu consigo, eu sou capaz! Eu venço uma a uma, diariamente. Venço as lembranças, venço os cheiros, venço os gostos, venço as pessoas, venço tudo relativo a você e assim, consigo viver. Consigo estampar um sorriso, consigo cumprir minhas obrigações, consigo esquecer que você existe por alguns momentos e consigo até amar por meia hora outros homens por aí. Eu não quero saber nome, eu não quero saber idade, eu não quero saber como é o rosto, muito menos o número do telefone. Eu quero só que ele faça direitinho para quem sabe eu perceber que o melhor beijo e o melhor abraço não são os seus. Eu não quero andar de mãos dadas, eu não quero ver filme abraçadinha, eu não quero nenhum programinha de casal. Eu não quero depender de toda essa porcaria que no fundo não é minha. Pertece a outra pessoa que um dia vai embora e leva tudo junto, me deixando aqui, parada, acabada, com um mundo inteiro ainda para enfrentar. Mas eu não resisto, meu extinto é mais forte e eu acabo sabendo o nome, a idade e até o número do telefone. Você não gostava de mim, nem eu de você. Pronto. Estava com você só para satisfazer essa minha necessidade imbecil de me entregar, de gostar, de viver um conto de fadas com data de validade. Eu sou assim, eu gosto de sofrer. Eu gosto de remoer, eu gosto de catucar a ferida até ela sangrar, só para eu não parar de vomitar no papel todas as coisas que você implantou dentro de mim mas que não tiveram tempo de crescer, nem de gerarem frutos sadios. Só esses com veneno mesmo, que percorrem cada milímetro cúbico do meu sangue quando eu vejo algo relativo a você e vão me matando aos pouquinhos, vão me enfraquecendo devagar, só para dar tempo de eu sobreviver e sofrer outras vezes a sua ausência. Às vezes a menina ingênua volta e escreve com lágrimas nos olhos muitas coisas para você, pensa em te procurar, pensa até em te agarrar de novo só para você não ter saída. Afinal, ela teme mais um não. Ela é sua serva, ela é totalmente dependente de você. Mas aí a mulher decidida chega e te manda para puta que pariu! Ah, ela mandou um recado: FALA NA CARA, SEU BOSTA! Pronto, a mulher decidida vai embora e junto vai toda a minha pseudo-aceitação do nosso fim. Não tem mais mulher decidida, nem menina inocente, é só a Caroline mesmo. Aquela Caroline que ficava pequenininha nos seus braços, aquela Caroline que toda hora te lembrava do quanto você era especial, aquela Caroline que mal se aguentava em pé na primeira vez que ficou com você. É só ela, é só ela que está aqui escrevendo. Sem máscaras, sem escudos, sem armas. Ela está aqui, nua, como você nunca viu. Ela só quer respirar um pouco fora de toda essa confusão que você fez, por isso ela escreve tantas coisas um tanto quanto sem sentidos. Ela já nem quer mais que você volte, mas lembra quase todos os dias de você indo embora. Vamos ser sinceros? Nem ela se entende. Ela só se entendia com você. Ela só entendia que esperou a vida inteira para sentir o que sentia respirando bem perto da sua nuca, ela só entendia que o lugar dela era ao seu lado. Fora isso, ela não entende mais nada, principalmente que ela tem que se acostumar com a idéia de que tudo que ela entendia, ela entendia errado. Não é fácil ser a Caroline. Não é fácil te querer tão profundamente por dez minutos e depois ver você se transformando em fumaça, se desperçando no ar, indo embora tantas vezes mais.

Beijos :*

4 comentários:

Pedro disse...

voce sabe que eu sou seu fã numero 1 ;)

te amo :*

Joanna Maciel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joanna Maciel disse...

Putaquepariu, o final desse ficou MUITO bom.Várias coisas que é possível comentar, mas são tantas informações que não consigo me organizar mentalmente para. [Ok, isso nem é novidade.]

Mas acho que esse trecho aqui pode ser útil:
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão." - Caio Fernando Abreu.

(Ah, eu já tinha comentado aqui e nem me apresentei... Hm, eu sou a namorada do Frederico Abucater, aquele cara... terrivelmente chato e implicante. (...) Ele não nos apresentou, então tomo a iniciativa... Oi, meu nome é Joanna, prazer em conhecê-la e lê-la.)

Fernanda disse...

Caramba, me impressionei.. vi alguns textos seus na comunidade da Tati, tu é ótima, eu tenho algumas poesias, mas são ocultas, haha ;*
adoreeei mesmo Carol :D