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domingo, 23 de novembro de 2008

A minha velha mania de não te engolir

Você vai embora aos pouquinhos, tão devagarzinho que eu nem percebo. Cada dia vai um pouquinho para mais longe, cada dia sua insignificância aparece um pouquinho mais, cada dia os cheiros, os gostos, as lembranças perdem um pouquinho mais da importância que um dia, não muito distante, tiveram. Ver você ir embora é como tirar sangue: eu sei que não vai doer, que vai incomodar só na hora, mas eu insisto em me contorcer, em fechar os olhos na esperança daquilo sumir, em enrijecer todos meus músculos (inclusive o coração) e só conseguir que aquela dor, que seria momentânea, se torne algo insuportável. Não é interessante a idéia de ver algo tão vital ser retirado de mim sem a minha autorização, mas não é algo tão horrorosso assim. É natural. Tiraram o meu sangue, assim como me tiraram você, mas eu continuo aqui. Não existem marcas, não existe nada que explicite a sua ausência, a não ser a minha mente massoquista e artística que a todo o momento "re-mastiga" o que já deveria ter sido digerido. Eu fico aqui, no meu cantinho, na companhia de tudo aquilo que você não quis e isso já não doi mais. Me acostumei em ter que transformar meus olhos em binóculos, assim como tinha me acostumado em transformá-los em queima de fogos quando te via. Chorei, lutei, esperniei como uma criança faz quando não tem seus pedidos atendidos, mas assim como ela, fui vencida pelo cansaço, fui vencida pelo sono e quando acordei alguém já tinha levado o meu brinquedo tão desejado para longe. Porém, as lojas não perdem tempo, me oferecem milhares de modelos iguais ao que eu perdi e até alguns super lançamentos. Mas esquecem que eu sou uma criança. Eu quero o meu brinquedo antigo, mesmo que não em sirva mais, só para não ter aquela sensação de vazio, de perda. Eu quero ter você aqui só para pôr na minha estante, só para não me sentir tão abandonada, tão desprotegida, mesmo que com ou sem você, eu seja a mesma vulnerável de sempre. Doeu, mas não doi mais. Ou melhor, doi às vezes, mas é mais poético dizer que doi sempre. É mais poético dizer que o amor abandonado espera para sempre. É menos frustrante dizer que tudo aquilo que um dia foi dito ou feito não se perdeu no tempo, mesmo que até nós mesmos tenhamos nos perdido no meio dessa confusão toda. Mas tudo bem, eu me acho aqui, no meio de tantas coisas que no fundo, me lembram você. Me acho na melodia das músicas, no telão das minhas lembranças, nos cheiros dos perfumes, na contagem dos dias. Eu me sinto bem no meio disso tudo, sem dar um passo se quer para trás. Sei bem sobre nossos respectivos lugares. O meu lugar é aqui, envocando o seu espírito todas vezes que eu precisar de algo que preencha esse vazio que você deixou, que me dê inpiração para eternizar tantas sensações, e o seu, é do outro lado da rua, com outras pessoas, ao lado de, quem sabe, outra garota mas sempre com essa cara de quem sabe que poderia ter sido mais. Você poderia ter sido mais não só para mim, você poderia ter sido mais para si mesmo.

Beijos :*

4 comentários:

Carolina Braga disse...

Perfeitoooooooooo! Escreves muito, guria! Em quantidade, mas sobretudo, em qualidade.
Parabéns! Parabéns amiúde...

Beso

meus instantes e momentos disse...

Vim conhecer teu blog, e me surpreendi.
Parabens muito bom.
Belo texto esse que vc postou.
Muito bom.
Maurizio

Janaína S. disse...

é bem assim que acontece né?
as vzs agente sabe o quanto dói,
e quando passa também, mas de vez quando bem que dá aquela vontadezinha de doer de novo.
E sentir dor é mesmo muito poético. Acho que os amores mais lindos são os não correspondidos,os que são escritos sem retorno, os que doem mesmo. Que sangram a alma.
Mas sabe de uma coisa? a gente sempre aprende a viver muito bem sem eles.
E o melhor, acaba encontrando um amor que corresponda todo resto que alguém um dia deixou pra trás.

Lindo demais seu texto.
beijo grande.

Tamara Martins disse...

Muito lindo,adoro seus textos, ;)