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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A volta do que, quem sabe, ainda não foi

Está chovendo. As gotinhas de chuva começam a molhar o vidro do carro, uma a uma, caem timidamente. Focalizo uma que de repente é derrubada pela força de outra que acaba de chegar das núvens. Forte, independente, indiferente. É assim que eu me sinto quando a gente se encontra: tão pequenininha e tão estraçalhada por tanta força, tanta independência e tanta indiferença. A gente fica ali parado, no meio da chuva. Eu com o meu guarda-chuva companheiro por causa do cabelo e você falando no seu celular, andando de um lado para o outro impaciente, provavelmente querendo saber quando a sua mãe ia chegar para você fazer com que ela se livrasse mais uma vez de mim. Eu olho para o lado, disfarço, confiro as horas. Faço qualquer coisa para não olhar para você e perguntar: "Ei, quer ficar aqui comigo debaixo do meu guarda-chuva?". Mas não, prefiro ver você sendo molhado do que me molhar de lágrimas depois pelo seu provável não. Não quero olhar para o espelho depois e falar: "Sua imbecil, você estragou tudo!", prefiro deixar você ali. Alguma coisa orgulhosa, boba e criança dentro de mim se sente feliz e realizada pelo meu pseudo-abandono. Sim, o que ela mais quer e te deixar ali, sozinho, abandonado e na chuva, igualzinho como eu fiquei no dia em que a gente terminou. No dia em que o orkut me comunicou a sua decisão. Diga-se de passagem, não sei quem foi mais ridículo: você ou o meio que você usou. Voltei para casa sozinha, abandonada, na chuva e triste. Muito triste. Mas você não ficou triste com o meu pseudo-abandono. Você nem notou. A gente fica ali parado, fingindo qualquer coisa para fingir que não notamos um ao outro, fingindo que nunca tivemos nada. Mas quer saber? A gente finge muito mal. Fingimos muito mal na chuva ou em qualquer outro lugar. Fingimos muito mal principalmente para nós mesmos: você fingi que acha que está certo e eu finjo que nem me incomoda mais aquela situação. Ainda bem que não ganhamos a vida atuando. Estamos a uma distância teoricamente significativa um do outro mas ao mesmo tempo estamos tão perto. Na prática, o que acontece é que esse peseudo-vazio entre nós está recheado de sentimentos mal resolvidos, mágoas, incomodo, disfarces e principalmente orgulho. Muito orgulho. Tanto orgulho que faz com que nós nos aproximemos mais e ao mesmo tempo fiquemos mais e mais distante de um final feliz. Eu dou uma olhadinha para você, assim, como se fosse sem querer e tenho tanta vontade de pegar a sua mão, por no meu peito e te mostrar como o meu coração ainda acelera quando eu olho para você, mas talvez trocaria pela possibilidade de te dar um chute no saco e fazer com que todos os seus futuros relacionamentos estejam comprometidos. É, quem sabe. Odeio ver tudo isso que a gente se tornou mas no fundo eu gosto de saber que mesmo desse jeito ruim você ainda nota a minha existência, gosto de ver que você nunca se aproxima das pessoas quando elas estam perto de mim, isso mostra que eu ainda causo alguma coisa em você, mesmo que seja esse repúdio. As badaladas do seu relógio de orgulho anunciam que é meia noite, então você entra para que, quem sabe, eu não perceba o quanto você se esforça para mostrar que nem lembra da gente, que nem lembra da garota que "tavez foi a mais especial que você conheceu". Será que você lembra? Ou esqueceu assim como esqueceu de todas as coisas que você me prometeu? Podia entrar, ir atrás de você, te agarrar, chutar seu saco ou qualquer outra coisa que mostrasse o quanto a sua presença me angustia, mesmo que você não me seja mais vital. Mas não, prefiro continuar com o meu guarda-chuva. Incrível como é só você desaparecer para tanta dor e mágoa desaparecerem também. Me sinto bem de novo, me sinto feliz de novo, me dá até vontade de cantar. Celebro a sua ida, assim como celebro todas as vezes que nós entramos nos nossos respectivos carros e nos livramos das nossas próprias presenças e convívios semanais forçados. Você cortou o cabelo, você estava com uma blusa que já tinha usado comigo, você provavelmente está em outro relacionamento, você me deixa com uma pontinha de ciúmes falando com outras meninas, mas quando eu entro no carro, deixo tudo isso do lado de fora. Você nunca me pertenceu, então, não é agora que vai. Cruzo minha pernas, me acomodo no banco, me separo de todo esse mundo com um fone e fico ali, olhando as gotinhas derrubarem umas as outras. Você é um terremoto que faz estremesser todas as minhas certezas e memórias. Faz com que o meu coração trema na mesma velocidade, com que o meu corpo acompanhe e o meu cérebro seja mais rápido ainda para não deixa nada disso a amostra. Mas, quem sabe, eu seja uma brisa. Quem sabe eu te toque suavemente e nunca te deixe esquecer daqueles dias, daqueles beijos, daquele quase amor. Aquele quase amor que você abortou, aquele quase amor que seria somente seu, aquele quase amor que as vezes se vira na tumba.

Beijocas :*

1 comentários:

Mariá Ortolan disse...

Realmente escreve pra caramba. Um dia eu chego ao teus pés ;) iuashdiudsa

parabéns Caroline ;*